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Fui Sozinha: guia de Salento, na Colômbia

por Gabriela Mendes
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Eu posso resumir minha viagem a Salento em uma combinação de três experiências: visita às fazendas de café, trekkings em parques naturais e mountain bike. Nada mal, né? Foi assim que eu passei meus dias pela charmosa cidade do estado de Quindío, também chamado de Eje Cafeeiro, em mais um episódio do Fui Sozinha.  

A visita foi rápida, de três dias, mas foi o suficiente para considerar Salento um dos destinos mais impressionantes do meu mochilão de um mês pela Colômbia. Neste post vamos contar tudo sobre o que fazer por lá.

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Sobre Salento

Fundada em 1850, Salento é uma das cidades mais antigas do estado de Quindío e conserva a arquitetura paisa*. É lindo chegar no centro histórico, que é todo colorido e emoldurado por montanhas, estando a mais de 1800 acima do nível do mar – haja fôlego!
*é chamado de “paisa” quem nasce na região noroeste da Colômbia, formada pelos departamentos de Antioquia, Caldas, Risaralda e Quindío

Salento, quando ainda era chamada de aldeia de Boquía, foi um dos lugares onde o revolucionário Símon Bolívar passou na sua rota de independência dos países latino-americanos. Atualmente, a cidade vive, principalmente, de turismo, produção de trutas e café.

O que fazer em Salento

Trilha do Vale do Cocora

O motivo número 1 que leva viajantes do mundo todo a Salento é essa trilha com uma paisagem, que pra mim, pareceu meio surrealista: no meio das montanhas, com muita neblina, você vê as gigantes palmas de Cocora, com seus imponentes 60 metros de altura. As palmas são a maior atração, mas a trilha inteira é linda e vale a pena ser percorrida por inteiro.

É preciso ficar atento a algumas dicas para aproveitar:

💡 Separe um dia inteiro para o Vale do Cocora e chegue o mais cedo que conseguir, porque há uma suposta fiscalização ambiental que fecha a entrada da trilha às 9h. Para chegar nesse portal, você leva cerca de 1h30 caminhando em uma subidinha.
💡 Não precisa de guia e o ingresso custa 3 mil pesos na entrada + 2mil pesos na saída + 8 mil pesos da passagem de Jeep. Confuso, mas assim mesmo. 

⭐Eu conto tudo sobre essa experiência nesta outra matéria – em breve!

Palmas de Cocora na Floresta Nublada, no vale de Cocora

Visitar as fazendas de café

Salento (e toda a região de Quídio) é o paraíso do café colombiano. A poucos quilômetros do centrinho da cidade, há uma estrada com várias fazendas de café. Elas oferecem tours, hospedagem, vendem grãos. Mesmo pra quem não conhece muito sobre esse universo, eu recomendo fazer um passeio para entender a produção do café, que é uma das atividades mais importantes da Colômbia e faz parte da cultura, da memória e da economia do país.

⭐ Veja como foi essa experiência aquiComo é visitar as fazendas de café em Salento, na Colômbia

Passear no Centro Histórico

O centro de Salento é bem pequeno, mas uma lindeza. Consiste em uma praça, onde pode-se observar aquelas cenas bem de interior, com um tempo que corre diferente do relógio, com pessoas batendo papo, restaurantes tradicionais, e da onde saem os Jeeps para passeios nos arredores. A rua principal, a Calle Real, Carrera 6, é cheia de lojinhas de artesanatos e souvenirs. Salento é sim uma cidade bem turística, mas não deixa de ser autêntica. 

Fazer mountain bike 

A sensação de fazer um downhill em meio à paisagem das Palmas de Cocora é indescritível. Que experiência! Decidi viver essa aventura no meu último dia de Salento e, pra quem gosta de friozinho na barriga, vale muito a pena. 

Optei pela empresa Mountain Bike Tour Salento e achei tudo muito seguro e organizado. Há saídas às 8h30 e 14h30, todos os dias. As bikes são Specialized, capacetes adequados, luva, lanche, transporte, tudo incluído no valor de 180 mil pesos

O ponto de encontro é no hostel xxx e de lá pegamos um carro até o alto da montanha. Fazer downhill é realmente desafiador, mas, apesar de eu ter bastante experiência com bicicleta, nunca tinha feito mountain bike nesse nível. Se prepare para talvez cair na lama, ficar com a adrenalina lá no alto e ter uma experiência única. 

O legal é que passamos por paisagens que poucas pessoas têm acesso em Salento, já que vamos para outra fazenda com plantações de Palma de Cocora, diferente da trilha do Vale de Cocora – e de bike! 🙂

💡 Outra dica de empresa que também faz rolé de bike legais na região: salentocycling.com/mtb

Bate-volta em Filandia

Se você procura um lugar menos turístico e igualmente lindo, Filandia é o destino certo. Eu acabei não conhecendo a cidade, mas todo que conheci voltou apaixonado pelo vilarejo. Na praça principal de Salento, há Jeeps que fazem o trajeto diariamente, o que é perfeito para um bate-volta, já que a viagem dura cerca de 1h (fique ligado no último horário de volta do Jeep). Outra opção é reservar uma pousadinha e ficar uma noite por lá, visitando as atrações com mais calma: o Mirante da Colina Iluminada, as fazendas de café, o Cañon del Río Barbas e a Reserva Natural Bremen. 

Onde comer em Salento

Brunch

Esse, sem dúvidas, é o restaurante número 1 de mochileiros lariquentos. O Brunch serve porções gigantescas de comidas mexicanas, hambúrguer e outros lanches (também tem opções vegetarianas). É tudo uma delícia, gostei tanto que fui lá duas vezes nos meus três dias em Salento. Só fique atento ao tamanho das porções: um prato dá pra três pessoas, é tudo realmente muito grande. E prepare-se para ter que esperar um pouco para sentar: o lugar vive cheio de mochileiros. Uma coisa boa que eles têm é o lanchinho pra levar pra trilha do Vale do Cocora.
Site:
Endereço:

El Rincón de Lucy

Pra quem quer comer um PF paisa, por um preço muito barato. Esse restaurante é muito recomendado, mas eu confesso que não achei a comida lá grandes coisas. Só que pelo valor valeu a pena, o menu de almoço custou 8 mil pesos e eu saí super satisfeita. É uma comida caseira justa e ótima pra quem quer economizar, mas não vá com muita expectativa.
Site:
Endereço:

Café Bernabé Gourmet

Restaurante delícia no centro histórico, mais arrumadinho. Os pratos custam entre 17-25mil pesos.
Site:
Endereço:

Outras opções recomendadas de restaurantes: Le K’fee, Etnia Arte y Sabor, xxxx.

💡 É claro que, como em todas as cidades da Colômbia, há várias barraquinhas com sucos, frutas e lanchinhos baratos. 

💡 Lembre-se de levar um lanche no dia da trilha do Vale do Cocora, não há nada para comprar dentro do parque! A maioria dos hostels e muitos restaurantes preparam esse kit lanche por preços camaradas.

Onde se hospedar em Salento

Coffee Tree House

A minha experiência em Salento foi ainda melhor porque eu me hospedei nesse hostel. Ele é maravilhoso, tem uma vista inacreditável para as montanhas, um pôr do sol lindo e ainda tem um climinha aconchegante, de casa de inverno. A escolha de hostel em Salento é importante, porque as atrações são todas diurnas, é bom ter um lugar gostoso pra descansar e se preparar pro dia seguinte. 

Eu recomendo o Coffee Tree House de olhos fechados. Se você for um viajante sem planejamento, como eu, vale a pena se atentar e reservar com pelo menos dois dias de antecedência, porque o hostel vive cheio. Ah, a diária inclui um café da manhã delícia! A cama no quarto coletivo custou 30mil pesos.

⭐ Reserve aqui!

Mais opções de hospedagem

Mochileiros: Hostel Tralala, La Floresta Boutique Hostel, Viajero
Conforto: Posada Casa Salento, Hostal Ciudad de Segorbe
Luxo: Hotel Terasu Salento
Pra quem quer uma experiência diferente: Montana Glamping

Quando ir a Salento

Falando de clima, não há exatamente uma época menos recomendada para visitar Salento. Entre os meses de julho e setembro há mais chances de chuva e são meses mais quentes. Entre dezembro e fevereiro o clima está mais estável, mas fica bem frio. Eu fui em novembro, peguei um pouco de garoa, mas nada que atrapalhasse. E tava bem frio, tipo 10 graus!

Se você quiser participar das colheitas de café, fique atento para planejar sua viagem entre março até junho ou outubro a dezembro. Porém, a época da colheita é sempre incerta, varia muito a cada ano. Eu recomendo que você entre em contato com as fazendas e pergunte qual é a previsão.

⭐ Veja mais dicas sobre as fazendas de café aqui

Flores quase congeladas no topo da trilha do vale do Cocora

Quanto tempo ficar em Salento

Eu fiquei três dias inteiros em Salento, mas teria acrescentado mais um para fazer um bate-volta em Filandia. 

Minha programação foi: dia da chegada visitando o centro histórico e fazendo tour nas fazendas de café. No segundo dia fiz a Trilha do Vale do Cocora, no terceiro fiz mountain bike e fiquei de boas até o horário do meu ônibus, à noite.

Resumidamente, o ideal é ficar, no mínimo, dois dias e, para fazer as atrações todas, 4 dias.

Como chegar em Salento

Eu cheguei em Salento a partir de Medellín. Há vários horários de ônibus que fazem esse trajeto, mas, como mencionei acima, é uma viagem longa, de 8h, eu sempre acho mais vantajoso fazer esse trecho à noite, economizando tempo e uma diária de hostel. Os ônibus são bem confortáveis, vários deles oferecem aquela classe VIP que tem uma poltrona super confortável pra dormir.
Preço: 45 mil pesos na classe normal, e na VIP custa 51 mil pesos.
Site: flotaoccidental.com

💡  Os ônibus diurnos são direto para Salento, mas nos noturnos é preciso parar em Armenia e trocar de veículo. Como também mencionei, não há nenhum risco e a troca de ônibus acontece na mesma plataforma de embarque.

Na volta, eu saí de Salento para Bogotá. Também peguei o ônibus noturno em Armenia, já que o trajeto dura 8h, e dessa vez consegui pegar um ônibus na classe VIP. É preciso apenas ficar atento porque, apesar de haver ônibus de Salento para Armenia a cada 20min, o último é às 21h.
Preço: 41mil pesos na classe normal, 85 mil pesos na segunda classe.
Site: bolivariano.com.co/

💡O site pode ser meio ruim pra comprar, às vezes dá erro. Se for comprar direto na estação, chegue com um bom tempo de antecedência para garantir um lugar, já que os ônibus costumam lotar.

Como se locomover em Salento

Dentro da cidade é muito fácil de locomover. Você vai fazer tudo a pé e, quando precisar ir mais longe, há o Jeeps coletivos, que funcionam no esquema de lotação. Simples assim!

Fui Sozinha em Salento

Eu cheguei em Salento por Medellín e, depois de lá, fui para Bogotá, de ônibus noturno em ambas as viagens. Como em todo meu mochilão pela Colômbia, não tive nenhum problema de segurança, mas por ser viajante sola, porém, fiquei um pouco insegura com dois momentos, que acho interessante compartilhar:

O primeiro foi na chegada, porque, como a viagem é longa (foram cerca de 8 horas, de Medellín) e eu queria aproveitar pra pegar o ônibus noturno, economizando tempo e uma noite de hostel, não havia uma linha direta noturna, precisei trocar de ônibus de madrugada na rodoviária de Armênia (conto mais dessas dicas práticas em “como chegar em Salento”), mas, tudo ocorreu com tranquilidade. Bom saber que a troca de ônibus é toda dentro da plataforma de embarque e há vários outros viajantes fazendo o mesmo. 

O segundo foi chegando em Bogotá, para pegar táxi sozinha de madrugada (já que foi outra viagem longa e eu fiz o mesmo esquema, chegando às 4h da manhã), mas optei pelos carros credenciados da rodoviária e deu tudo certo. Lembrando: se o motorista falar que o táxi dele está no estacionamento, não é o credenciado. Pegue os que ficam na pista, visíveis (há algumas dicas sobre isso também na matéria de Bogotá, vale a pena dar uma olhada). 

A cidade de Salento, em si, é completamente segura e muito turística. Tem aquele climinha de interior, pessoas conversando na praça, tudo na maior tranquilidade. Não há nenhum motivo para se preocupar, sempre lembrando daquelas dicas básicas de qualquer lugar do mundo, como não andar sozinha à noite, evitar caminhos desconhecidos, etc.

Resumindo, Salento é um destino 100% recomendável para viajantes solas (assim como todos os lugares que eu visitei na Colômbia). E aquela velha história: se você quiser, não precisa ficar sozinha (apesar de também ser uma delícia). Se hospedando em hostels é fácil fazer amizade e arrumar companheiros para os passeios.

⭐ Fui Sozinha: roteiro de um mês na Colômbia
⭐ Veja todas as matérias do “Fui Sozinha” aqui

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Como é visitar as fazendas de café em Salento, na Colômbia

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