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Guia de sobrevivência em Havana: nossas dicas da capital de Cuba

por Ursulla Lodi
Guia de sobrevivência em Havana: nossas dicas da capital de Cuba

Todas as dicas que você precisa saber para conhecer Havana: o que fazer, quando ir, quanto tempo ficar, onde se hospedar e como se locomover

Havana foi meu último destino da cicloviagem mexicana, em que desci o México de bike junto do @bikemyself. Depois de mais de 1000km rodados e fronteiras atravessadas – aguarde que ainda vai ter mais post dessa aventura no blog! – desmontei e embalei minha fiel escudeira em plástico bolha, desembarcando em Havana, desta vez solita, abertas para novas possibilidades, movida pela vontade de tentar compreender outras formas de viver esta vida. Foi um novo episódio do nosso Fui Sozinha, num incentivo feminino para mulheres viajantes.

Então vai para Cuba

Cuba não é para principiantes. E o mais gostoso destes 7 dias que passei em Havana foi justamente me sentir ilhada neste teletransporte para uma outra realidade. Num cenário dos anos 50, mas tentando absorver toda a mudança que está se passando por lá – abrindo mão da novidade local, um tanto quanto restrita, do wi-fi que faz com que turistas e jovens se amontoem nas calçadas atrás de sinal ou comunicação com o mundo exterior.

Fato é que a ilha caribenha dá o que falar, sobretudo entre as más línguas daqueles que não tem o menor interesse em conhecer a realidade local e seu passado histórico, que fiz questão de contextualizar um pouco abaixo, já que é essencial pré-requisito para todo viajante que se propõe a conhecer o destino ou que quer viajar um pouquinho na história através deste post.

Sem dúvidas, Cuba enseja muita curiosidade. Não é à toa que depois da biketrip uma das perguntas que mais ouvi não tinha nenhuma relação com bicicleta: o que você achou de Cuba? Como se meus poucos dias na capital, Havana, me possibilitassem tecer qualquer tese, mas apenas ilustrar melhor, na minha cabeça, como as coisas de fato são.

Para além dos mojitos, do povo simpático que adora puxar assunto e das praias azul turquesa, foi justamente esta curiosidade e ideais de igualdade que me levaram até lá, estendendo a viagem para o México em um novo destino e foi a melhor decisão que poderia ter tomado.

Este post é um mini guia de sobrevivência para chegar em Havana com algumas informações básicas: 

⭐Saiba mais: se quer saber mais sobre a minha experiência de viajar sozinha em Havana, veja este post: Fui Sozinha: Havana

Sobre Havana: um pouco de história e atualidade

O passado de La Habana nos remete à sua história de colonização e talvez, num passado recente, uma ruptura do padrão latino-americano da dominação. A antiga ilha indígena-caribenha foi conquistada pelo Império Espanhol, envolvendo nos primeiros séculos, genocídio dos povos originários e escravidão negra para ocupação através da exploração do plantio de monocultura.

E claro, disputa entre potências interesseiras, com tensões que perduraram séculos entre Espanha e Estados Unidos que acabariam por engendrar a Guerra Hispano-Americana, em 1898 e o consequente Tratado de Paris. O dito tratado, estabeleceu a cessão das colônias espanholas de Guam, Filipinas, Porto Rico e Cuba aos Estados Unidos – que tornou a ilha território americano por um curto período até a Independência em 1902, quando ocorreu a proclamação da República e eleição de um governo cubano.

Mas, claro, os interesses norte-americanos ainda predominavam em Cuba, e os Estados Unidos continuavam a exercer grande influência política e econômica sobre a ilha e os governos cubanos, o que gerava muita insatisfação nos setores populares marginalizados. Cenário que perdurou até a deposição do ditador Fulgêncio Batista pela Revolução, liderada por Fidel Castro, em 1959.

Após o marco, houve a total deteriorização das relações cubanas com os Estados Unidos. Diante da necessidade de manutenção do modelo de monocultura agrícola e subsistência de um território ilhado, num contexto de Guerra Fria, formalizaram-se as alianças com a União Soviética e a opção pelo socialismo, tendo como figura central, seu líder revolucionário que governou o país até 2006, quando então passou o poder para seu irmão, Raul, antes de falecer em 2016.

Importante ressaltar que não sabemos de fato como seria a experiência socialista de Cuba ausente o embargo americano, que perdura em outros conformes até os dias atuais, dificultando as relações comerciais, bem como, sem a injeção de capital da URSS, até porque este contexto que ensejou tal modelo.

Mas o que deve ser dito é que existem, tanto para um lado quanto para outro, contradições: tanto na romantização do ideal revolucionário quanto na negação de que o governo, sobretudo em seus tempos de glória, contribuiu para a diminuição da miséria e proporcionou educação de qualidade, serviços básicos e saúde para todos. Por exemplo, em Cuba existe cura para a vitiligo, o que não existe em outros lugares do mundo, coisas que não dá para explicar. No modelo igualitário, ninguém tem muito, mas todos tem o básico que é possível ter, incluindo lazer e sorvete Coppelia.

É muita pretensão tentar entender Cuba

Se existe um custo a se pagar, no que tange a negação de liberdade individual, existem muitas opiniões controversas e não sou apta para discorrer sobre o tema, assim como a maioria que tenta, sem sucesso.

Fui para Cuba, justamente tentando entendê-la. Mas a primeira coisa que meu host, Yuri, me ensinou foi que é muita pretensão tentar entender Cuba. Por isto, meu conselho é desapegue dos entendimentos e tente vivencia-la com autenticidade, aceitando a sua incógnita. Tenha certeza que Cuba, de uma forma ou de outra, vai te fazer ao menos questionar.

O que fazer em Havana

Se você está perdido, você é apenas mais um viajante em Cuba, que não sabe bem o que esperar do país, para além dos mojitos, praias exuberantes e dos carros antigos.

Saiba que Havana é um lugar único: entre o charme e a decadência é  uma cidade que vem mudando bastante, mas segue resistindo ao tempo e a interferência externa, com todas as suas peculiaridades e um povo muito simpático e curioso. A grama do vizinho sempre é a mais verde: a mesma curiosidade que temos para entender a vida por lá é a que eles tem para entender o nosso estilo de vida, capitalista. 

Mas, tirando o clichê e o roteiro turístico padrão básico – que não deixa de ser imperdível – o melhor para se fazer em Havana, sem dúvida, é perambular por suas ruas em tons pasteis, cheias de crianças brincando e  tentar experienciar ao menos um pouquinho dos programas rotineiros da população local: cinema, circo, comprar pão, ir dançar ou um belo domingo de praia, fora da zona turística.

⭐Para saber mais do que fazer por lá com atrações separadas por bairro e muitas dicas de programas alternativos veja este post: O que fazer em Havana

Onde se hospedar: dê prioridade para hospedagens em casas particulares cubanas

A simplicidade e o aconchego das hospedagens domiciliares cubanas <3

Blogs de viagem se sustentam principalmente pelas comissões dadas por sites como o Booking.com. Poderíamos aqui indicar hotéis all inclusive, mas acho que pra nós o mais importante é fazer nosso trabalho seguindo o que acreditamos e apoiando o turismo comunitário…!

Devido a difícil situação econômica do país, muitos moradores abrem suas casas montando hospedarias. Para nós, turistas, é muito interessante, pois além de cobrarem preços baratos, somos apresentados à uma Cuba muito mais verdadeira e não àquela para turista ver.

E ao contrário do que você pode estar pensando, as casas particulares em Cuba não funcionam em sistema amador. Os proprietários devem estar cadastrados junto ao governo e precisam seguir uma série de determinações para estarem habilitados a receber os turistas.

O preço das casas particulares não é tabelado, mas varia pouco entre uma e outra. Uma casa particular baratinha pode sair por 25 CUC, as mais caras por até 35 CUC a diária.

De qualquer maneira, é muito mais barato que hotel e você tem certeza que este valor é revertido para a população local, sendo um convite para vivermos mais de perto a realidade de uma família cubana – já que os turistas tem um quarto privado, mas compartilham o resto da casa com os proprietários. 

Casa de Hatuey

Fiquei por pura sorte na Casa de Hatuey, a pensão que o Yuri tomava conta, que por tratar-se de uma casa estilo albergue, o valor da hospedagem era de 10 CUC por dia, incluindo refeições.

Na verdade, por ir diretamente da cicloviagem mexicana, não tive muito tempo para planejar qualquer coisa antes de ir pra Cuba e viajei da forma como mais gosto de viajar, sem roteiro, deixando acontecer. Depois de olhar o Couchsurfing, acabei achando a Casa de Hatuey no Hostel World, uma pensão cubana com quartos compartilhados e ótima comida para os padrões cubanos. Tudo simples, sem luxo algum, mas com pessoas maravilhosas que me pegaram pela mão e coração, transformando a minha viagem e apresentando praticamente tudo que conheci, de maneira bem fora da curva.

Por este encontro do destino, conheci muita coisa em Havana que jamais conheceria por ter me hospedado por lá, dicas que dou no post específico do que fazer em Havana.

Fotos da Casa de Hatuey

Outras hospedagens familiares se você quer um quartinho privado:

Casa Amistad 

Cujos anfitriões são a Maria Teresa e Roberto, descoberta do Casa de Isabel.

💡 Neste grupo do Facebook chamado Casa de Isabel você pode descobrir mais hospedagens com brasileiros que já visitaram o país. Ao escolher a casa que quer ficar, o próximo passo é escrever um e-mail para os proprietários, combinando a reserva para suas datas. Caso eles não estejam disponíveis, provavelmente indicarão a casa de algum vizinho de qualidade similar. 🙂

Onde comer em Havana

Cuba não é exatamente um destino gastronômico. Devido ao embargo, há ainda muita dificuldade em encontrar variedade de produtos, sobretudo nos de segunda necessidade, não oferecidos pelo Estado, tidos como luxo.

Em Havana é possível comer por 2 CUC por dia ou por 40. Old Havana, por exemplo, é cheia de restaurantes para turista ver, mas na 23rd street e na J street, encontramos muitas cafeterias de estudantes universitários. Além disso, existem os restaurantes do governo Cubano, em que é possível comer por 5 CUC.

Mas a melhor solução para não gastar muito, fugindo dos restaurantes com preços turísticos, e ainda sim comer bem, é procurar por paladares: pequenos restaurantes familiares que guardam a autenticidade do tempero creole, oferecendo também pratos internacionais, por assim se dizer, como pizzas e massas, que, normalmente custam entre 10-25 pesos cubanos. 

É bem comum encontrarmos também tendinhas de sorvete e doces, que variam de 1-5 pesos. A qualidade pode não ser a melhor, mas você pode experimentar a comida que os cubanos comem em seu dia-a-dia. 

Ah, e não deixe de ir na Coppelia <3. A sorveteira do governo Cubano fica em Vedado e você pode comer todo o sorvete que puder por centavos, de quebra, compartilhando um pouco da rotina de lazer dos cubanos.

Algumas sugestões de onde comer se estiver com dificuldade:

⭐ Los Nardos: comida espanhola no Paseo de Martí, os prédios coloridos em frente ao Capitólio. Não é a mais barata, mas é uma opção segura.

⭐ Cinecitá: restaurante universitário bem baratinho em Vedado, localizado entre 23rd e a 12rd.

⭐ La Roca: comida e música ao vivo entre a 21st e a M st.

⭐ El Carmelo: restaurante tradicional ao lado do Cinema Riviera.

⭐ El Burrito Habanero: uma mistura da culinária cubana com a mexicana, na 23rd, em frente ao El Carmelo.

⭐ Kasalta in Playa: localizado no início da quinta avenida, com paredes que remetem à glória dos esportes cubanos.

⭐ La Catedral: uma ótima opção de paladar em Vedado, localizado entre a 8th e a 5th street, comida espanhola, cubana e internacional, além de mojitos baratos.

⭐ El Cocinero: 26th street, ao lado da FAC, pode ser que role um jazz enquanto você come!

⭐ Para comer lagosta: restaurantes na Rua Obispo, próximos ao La Catedral. Em Cuba, não julgue pela aparência!

Cadecas

Os bancos, normalmente, tem uma fila grande, não se estresse. Eles abrem 8:30 e fecham as 15 horas e as cadecas, casas de câmbio, fecham 19 horas. As cadecas costumam ser a melhor opção se você precisa trocar dinheiro ou não está conseguindo sacar nos ATM locais. Lembre-se de levar sempre seu passaporte se quiser trocar moeda estrangeira, sendo que não é exigido documentação para trocar pesos cubanos.

Cartões de crédito Visa e Mastercard funcionam nos estabelecimentos maiores que os aceitam, desde que não tenham sido emitidos por bancos de bandeira americana. É sempre recomendado avisar o seu banco antes de embarcar. Você pode sacar com cartões nos bancos também, com a quantia mínima de 100 CUC.

💡Dinheiro vivo é sempre a melhor opção em Cuba, muitos lugares não aceitam cartão.

Alguns lugares para trocar dinheiro em Vedado:

Banco Popular de Ahorro: 23rd St e J Street. Tem uma Cadeca ao lado na própria Rua 23;

Banco Metropolitano FOCSA: 17th St entre a rua M e N;

Cadeca no National Hotel (abre em dias festivos).

Alguns lugares para trocar dinheiro em Old Havana:

Banco na Avenida Itália entre a Rua San Martín e a Barcelona;

Cadeca Obispo Boulevard entre a Rua Aguiar e Cuba;

Cadeca na Rua Lamparilla e a Aguiar.

 

Como se locomover

Para chegar na cidade saindo do aeroporto

A melhor maneira é de táxi mesmo, além de ser um primeiro impacto, desembarcar e colocar suas malas num carro dos anos 50. Saindo do Terminal 3, o preço é um pouco carinho, cerca de 25 CUC, em um carro para quatro pessoas, e 30 CUC uma van para até oito pessoas.

💡A dica é sempre a mesma, mas ainda sim válida: divida com outras pessoas que estão na mesma situação que você, para baratear e, de quebra, fazer amizades.

💡Existem táxis não oficiais localizados no lado direito da saída do aeroporto, estacionados na frente do restaurante. O preço desses é entre 12-15 CUC e você também pode dividir.

💡 Outra informação válida é que há um ônibus – guagua – com placa de conexão, interligando o Terminal 2 ao 3.

💡É bom lembrar também de sacar um pouquinho de dinheiro no caixa eletrônico do aeroporto.

Pela cidade

De bicicleta 🙂

Cheguei em Cuba de bicicleta! Sem dúvidas é uma ótima opção, sendo, inclusive, um destino comum para cicloviajantes que vão fazer a famosa volta na ilha. Andar por Havana de bicicleta foi a realização de um sonho que eu nem sabia que tinha até concretizar, sem falar que o terreno é bem plano, fácil para pedalar, mas infelizmente não é tão fácil alugar uma bicicleta por aqui, se você não está com a sua. Uma curiosidade é que muita gente tentava me convencer a vender a minha!

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Táxis coletivos

Tem gente que acha que para andar de carrinho antigo tem que ser aqueles super caros que ficam na Praça Central. Mas uma das maneiras mais práticas de se locomover é pegando um táxi coletivo. Claro que os turísticos são muito mais bonitos e coloridos, mas os ferradinhos tem mais charme ainda. Um rolé curto custa menos de 2 CUC.

Ônibus

Andei muito de ônibus em Havana. E desenvolvi, em um curto período, uma relação de amor e ódio por eles. Pensar que o transporte é praticamente gratuito, custando centavos, e interliga toda a cidade é incrível. Mas prepare-se, pois é lotação mesmo. O melhor é se informar na sua hospedagem qual ônibus pegar, mas não precisa ter medo algum, só vai, que com certeza a experiência valerá a pena!

Quando ir: qual a melhor época do ano para viajar para Cuba?

Não gosto de sugerir uma regra quando se trata de quando ir para os destinos. Até mesmo porque sempre existem vantagens e desvantagens entre uma estação e outra. Mas tratando-se de uma zona de incidência dos furacões do Caribe, sugiro evitar os meses de maior incidência: setembro e outubro. 

Cuba fica nos trópicos. Não existe tanta variação de temperatura por aqui e dificilmente as temperaturas ficam abaixo dos 25ºC. A variação tange à probabilidade de chuva:

De novembro à abril é a época seca. Fui em abril e foi ótimo, entre briza e calor, já que neste mês começa a esquentar, o que me renderam lindos dias azuis de praia! 

Já de maio à outubro é a época de chuvas: nada que vá de fato atrapalhar a sua viagem, mas novamente, podendo evitar evite setembro e outubro. 

Fora isso, é bom saber que dezembro, janeiro, junho e julho são alta temporada na ilha: o que significa preços mais altos e muitos turistas. 

Azul caribe… Nada mal e sem sair da capital!

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