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Pará: o melhor de Belém e Alter do Chão em um roteiro pela Região Norte

por Ursulla Lodi
Pará: o melhor de Belém e Alter do Chão em um roteiro pela Região Norte

Sou simplesmente apaixonada pela Região Norte do Brasil. População simples e de coração imenso que preza pelo espírito coletivo, culinária e cultura riquíssimas  e, sobretudo, a possibilidade de conexão com nossa mãe-natureza, a Floresta Amazônica – tão mágica e generosa, mesmo diante de nossa negligência absoluta com sua terra e com seus povos tradicionais. Todo brasileiro que se preze deveria conhecer e valorizar muito o Norte antes de procurar turismo lá longe. A gente tem um tesouro!

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Pôr do sol na FLONA do Tapajós

Já tinha tido oportunidade de conhecer Manaus e Presidente Figueiredo no Amazonas, mas só nessas últimas férias finalmente conheci o Pará. E que encontro. Foi um giro no mato daqueles que determinam um não retorno pro estado de origem. Um mergulho de cabeça nas águas do maior bioma e bacia hídrica do mundo, que me abraçou e me acolheu.

Não é que eu não soubesse que isso tudo estava guardado ali. Mas, às vezes, é preciso sentir a natureza, para entendê-la e, consequentemente, compreender um cadinho mais do que somos e de onde estamos inseridos, enquanto país.

Mais do Pará

O Pará é um estado gigantesco: a segunda maior unidade de nossa Federação compreende por si só o território de toda a Região Sudeste, sendo que só a Ilha de Marajó é maior que o Rio de Janeiro.

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Os barcos parados no porto do Centro Histórico de Belém

E tem um passado e tanto: já foi território espanhol, terras inóspitas e desconhecidas que tentaram ser perpetradas por ingleses, holandeses, até se tornarem parte da Capitania portuguesa do Maranhão e, posteriormente, em 1616, a Capitania do Grão-Pará, que abrigava também o estado do Amazonas.

Enquanto Grão-Pará, foi fundamental para a Colônia para conquista de nosso território, já que da Europa para Belém a viagem marítima demorava metade do tempo que para a antiga capital carioca, por exemplo. Foi independente por um período com a revolta popular da Cabanagem e viveu a Belle Époque com a exploração da borracha, no início do século XX, dando traços de Art Nouveau para a capital, Belém.

Mas são outras as verdadeiras riquezas desta terra. Por lá tem rio-mar que parece um verdadeiro oceano de água doce, tem o melhor açaí do universo e o carimbó,  tem a imponência da Amazônia, tem Sírio de Nazaré, tem o Sairé, tem peixe fresco, tempero de tucupi e jambú, tem igarapé com boto pulando e arraia de rio, tem soninho na rede, tem um calor danado, cuja cura é aquele banho de chuva. Isso num resumo bem superficial de registros e saudades.

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Se aqui nas grandes metrópoles a gente importa um monte de cultura de fora, lá eles vivem as verdades deles, que deveriam ser as nossas, já que fala tanto de nós mesmos e da nossa história como povo.

Roteiro pelo Pará e Região Norte:

Embarque ao som do Carimbó:
“Eu vou pra Belém meu bem, vou numa perna só, vou dançar um carimbó, vou tomar um tacacá! (…) Sacode a poeira até o Marajó, dançando sem jeito num ritmo só…!”

Em duas semanas por lá, preferi conhecer apenas a capital, Belém, onde ficamos 4 dias, e o Caribe Amazônico, Alter do Chão, onde ficamos o restante do tempo, partindo da segunda maior cidade do estado, Santarém, para poder aproveitar com tranquilidade ambos os destinos e absorver ao máximo do tanto que eles tinham pra oferecer. Parece muito tempo, mas a única coisa que sobrou foi a vontade de não voltar pra casa, num compromisso de retornar levando gente amada pra conhecer esse cantinho de Brasil.

“Eu vou pegar um barco para o interior do Pará e parar naquele bar do lado da igreja, na frente da praça para beber cerveja, tira-gosto com cachaça, fazer graça, jogar bilhar, curtindo um caranguejo, peixe frito, farinha e camarão enquanto vejo os cambito da caboclinha no balcão.”

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Nada como uma cervejinha dentro do rio

Se tivesse mais tempo poderia incluir também na viagem Algodoal e a Ilha de Marajó, mas, dessa vez, seria muita correria tentar fazer tudo e não era o que queríamos, sobretudo na época do ano novo em que a vontade era de boiar no rio e nos conectar com nós mesmos.

“Eu venho de longe pra dançar meu Siriá, esta dança é gostosa, mas não posso demorar…!”

Mas se você dispõe de mais tempo, dá pra montar um super roteiro de meses explorando a região Norte. Se quer fazer Amazonas e Pará, sugiro ao menos 1 mês de viagem. Conheci muita gente em Alter que estava fazendo isso, com uma rede e uma mochila nas costas, se deslocando de barco, de moto, de tudo quanto é jeito. Tinha gente que tinha planos de ir até o Monte Roraima e de lá continuar ainda para além da fronteira, pro Peru e Bolívia. Uma super viagem gastando pouco, para quem tem espírito mochileiro e gosta de natureza. 🙂

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De dentro do barco, Alter do Chão

Os destaques da viagem – atrações imperdíveis para o seu roteiro pelo Pará!

Foi tanta coisa incrível que fica difícil fazer essa seleção, mas passado um tempinho para absorver o que ficou, vou deixar aqui o que mais marcou a minha estada:

1. A experiência no Ver-O-Peso, em Belém

A primeira vista pode parecer um mercado de rua desorganizado em corredores estreitos e empoeirados. Mas quando você valoriza o que está ali dentro exposto, a visita toma contornos especiais. Peixes gigantescos, frescos dos nossos rios, o açaí da nossa terra, o tucupi sendo feito da mandioca que é descascada ali mesmo, as erveiras vendendo um conhecimento milenar da floresta em pequenos vidrinhos com cheiro do Pará, o peixe frito com açaí nas barraquinhas… Uma verdadeira experiência para ser vivenciada.

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Para saber mais sobre o Ver-O-Peso e o que ver lá de uma olhada nesse post lindo feito pela Bibi.

2. Conhecer a Ilha do Combu e a plantação de cacau Filhas do Combu, em Belém

Esse dia foi uma delícia. A ilha do Combu fica a 15 minutos de barco de Belém, sendo uma das muitas ilhas fluviais da capital paraense, onde moram mais de 200 famílias, em palafitas que foram decoradas com grafites coloridos pelo projeto Street River. Famosa pela produção de açaí e cacau regional, é um passeio super gostoso de dia inteiro, incluindo banho de igarapé, sumaúmas centenárias e curtir o deck de algum restaurante local, como o famoso Saldosa Maloca, comendo um peixinho assado. Mas o mais legal é conhecer a plantação de cacau Filhas do Combu, onde é produzido um chocolate de primeira qualidade utilizado na cozinha de muitos chefes renomados como Alex Atala e Thiago Castanho, que pode ser degustado no final da visita.

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Moldura de sumaúma centenária, Ilha do Combu, Belém

Para saber mais do passeio para a Ilha do Combu veja este post.

3. Visita guiada ao Theatro da Paz, em Belém

Fundado em 1878, durante o período áureo do Ciclo da Borracha, quando ocorreu um grande crescimento econômico na região, o teatro foi palco de grandes espetáculos. Nesta Belle Époque Amazônica,  Belém foi a capital da borracha, necessitando de um teatro de grande porte, capaz de satisfazer os anseios da sociedade que emergia às custas da exploração nos seringais.

A sala, inspirada no Teatro Scalla de Milão e na Opera Parisiense, é lindíssima. Mas a grande surpresa da visita, que dura cerca de 1 hora, foram as explicações do guia, que nos conduziu em uma verdadeira aula de história pelo passado do Pará. Super recomendado.

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O interior do belíssimo Theatro da Paz, Belém

Para ver mais atrações da capital paraense e de seu Centro Histórico, veja este post.

4. Boiar nas águas do Tapajós, em Alter do Chão

Não tem nada melhor do que não ter compromisso com nada em Alter do Chão, o Caribe Amazônico brasileiro. A pequena cidade que fica à uma hora de carro de Santarém, é um verdadeiro paraíso para quem quer curtir dias relax em meio à natureza, boiando nas águas verdes do Rio Tapajós, que muitas vezes podem ser confundidas com um oceano de água doce, quando não conseguimos ver a outra margem. Se quer tranquilidade, aproveite para ir enquanto há tempo.

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Lagoa Verde, Alter do Chão. Foto: Helena Cooper

Todas as nossas dicas em “Alter do Chão: nossas dicas do Caribe Amazônico”

5. Comer o máximo que você conseguir da culinária regional

Quem acompanha o blog sabe que amamos comer e este é um dos principais programas por aqui.  Entre um mergulho e outro, esprema cada gota da gastronomia local provando tudo que a floresta nos dá: peixe fresco – tambaqui, pescada dourada, pirarucu, filhote, pintado e muito mais – carangueijo, frutas amazônicas  – como cupuaçu, graviola, taperebá, bacuri, que podem ser degustadas em sobremesas, sucos ou trufas caseiras – e os pratos típicos mais gostosos – vatapá, tacacá, charutinho, pato no tucupi, maniçoba, entre outros, sempre acompanhados de muito tucupi e jambú.

Se é fã de comida boa não pode deixar de comer um bom peixe frito com açaí no meio do pitiú do Ver-O-Peso, apreciar estes ingredientes sendo transformados em alta gastronomia no Remanso do Bosque, do Thiago Castanho, em Belém e comer uma boa comida regional no Panela de Barro, em Ponta de Pedras, em Alter do Chão. Oh, rango bom.

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O verdadeiro tempero do Pará, no Mercado Ver-O-Peso, Belém

Para ver todas as nossas dicas veja este post: “Onde provar a deliciosa gastronomia paraense em Belém” que vai te deixar com água na boca!

6. Conhecer a FLONA do Tapajós e dormir na comunidade de Jamaraquá

A experiência de conhecer a FLONA – Floresta Nacional do Tapajós foi única. A reserva natural fica a uma hora e meia de barco de Alter do Chão, no Pará, e se estende por mais de 600 mil hectares. Através de indicação de amigos, preferi dormir em Jamaraquá no redário do Bata e da Dona Conceição, em busca de uma experiência mais autentica. Teve trilha pra ver a sumaúma centenária, conhecendo toda a flora e fauna local, comida boa e soninho na rede, entre um mergulho no igarapé e outro. Durante a noite nos aventuramos até numa focagem de jacarés! Conto mais sobre a minha experiência neste post relato.

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Igarapé de Jamaraquá, FLONA do Tapajós

Para saber mais sobre como conhecer a FLONA veja também este post da Bibi.

7. Aproveitar da simplicidade: dormir na rede, voltinha de bicicleta e as pessoas que conhecemos pelo caminho

Tem vida mais cara, mas não presta não. Para nós que moramos em cidade grande não é sempre que podemos nos conectar tanto com a natureza, vencer medos, paradigmas e estar abertos para conhecer pessoas que tem o mesmo interesse e estão na rede ao lado ou no mesmo barco, ou, ainda, que vivem uma realidade completamente diferente da nossa e tem tanto a nos ensinar. Tentar ter experiências turísticas mais autenticas e próximas da realidade local e do turismo sustentável normalmente é mais em conta, além de ser muito mais enriquecedor. Aprender, trocar e viver coisas novas todos os dias! Esse é o meu lema enquanto viajante.

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Bicicletinha em Alter do Chão, sempre o melhor meio de transporte

Para as meninas viajantes, não temam, mas tenham em mente que trata-se sim de um ambiente em que o machismo ainda é mais presente. Sempre atentas e protegendo-se.

Bom giro por este Norte da Saudade que ficou no coração! <3

Esses são apenas alguns motivos para conhecer o Pará e para nós brasileiros nos aventurarmos mais por aqui.  Qualquer dúvida deixem nos comentários! 🙂

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No topo da Serra da Piraoca, Alter do Chão, PA

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2 Comentários

Cindy 17/07/2018 - 07:31

Adorei tudo! Me deu mais vontade ainda de ir. Estou me programando para ir em fevereiro do ano que vem. Acha seguro para mulher ir sozinha? Vou passar por Belém e Manaus, quero conhecer principalmente o Alter, teria dicas de qual a melhor forma de chegar?

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Gabriela Mendes 17/07/2018 - 15:15

Oi Cindy! Tudo bem? Que bom que você gostou, o Norte é uma região cheia de belezas, você vai amar. Porém, fevereiro não é a época ideal, porque ainda chove bastante, o que pode atrapalhar sua viagem. O ideal, principalmente para Alter, é a partir de outubro até dezembro, mas se essa for a única data que você pode, aconselhamos mesmo assim. Quanto a questão de mulher sozinha, em Manaus e Belém é bem tranquilo, porque é cidade grande. Em Alter, procure ficar em hotéis perto da praça principal e se junte a grupos para fazer passeios (é até melhor, porque você economiza). A forma mais fácil de chegar a Alter é de avião a partir de Manaus ou Belém até Santerém, e depois pegar um transfer para Alter (demora cerca de 45min, 1h). Há também a possibilidade de ir de barco a partir das duas cidades, sendo que dura 3 dias a partir de Manaus e 5 dias a partir de Belém. Qualquer outra dúvida que surgir nesse processo de organizar a viagem, pode falar com a gente! E não esqueça de nos seguir no Instagram pra quem a gente possa acompanhar suas andaças pelo mundo: @bloggiramundo <3

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