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Fazendo escala: 48 horas em Hanói, a capital do Vietnã

por Ursulla Lodi
Fazendo escala: 48 horas em Hanói, a capital do Vietnã

Entre os pousos e decolagens da aventura asiática, meu mochilão de 4 meses para o outro lado do mundo, desembarcamos para uma rápida estada em Hanói, a agitada capital do Vietnã, ao norte do país. Apelidada carinhosamente de Hanoise, a cidade, que tem muita personalidade e um certo charme em seu caos, deixou gostinho de quero mais.

Conto tudo para vocês neste post relato com um roteiro de 48 horas em Hanói.

Hanói é agitada, barulhenta, caótica. Em 5 minutos por lá entendi porque ela é chamada de Hanoise, remetendo ao barulho, noise, em inglês. A primeira visão é impactante: É moto para tudo quanto é lado, dezenas, centenas, algumas vezes acho que até milhares. Não sei como sobrevivia a cada vez que tinha que atravessar a rua, neste fluxo intenso e desordenado. E a grande maioria da população usa respiradores – sabe aquelas “máscaras” de médico? Só que personalizadas!

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Nas calçadas – e também no meio da rua – comerciantes vestidos à caráter vendendo tudo que você possa imaginar: frutas, flores, vasos, utensílios… E pessoas comendo em todos os cantos, sentadas em banquinhos minúsculos ou simplesmente agachadas – como?

Que vertigem. Literalmente, uma viagem.

Como neste trecho tinha que compatibilizar a minha agenda com as férias familiares, não pude ficar tantos dias quanto gostaria por aqui. Mas na minha rápida estada como ponto de partida para a lindíssima e Halong Bay, a impressão que ficou foi que Hanói é uma cidade totalmente diferente de tudo que vi no Sudeste Asiático.

Em 48 horas, ficou a vontade de conhecer mais, não só da cidade, mas da história desse povo e desse país, que da colonização chines à francesa, às guerras do último século, passou por tanto e carrega isso em seu semblante sério.

Falando em barulho, queria ouvir. Mas, desta vez, apreender a veracidade das vozes que viveram o outro lado destas histórias.

Roteiro dia 1

Hỏa Lò Prision

Começamos o dia indo na Hỏa Lò Prision. Uma visita rápida e pesada à prisão construída pelos franceses em 1896, mas necessária para entender o passado de resistência dos presos políticos ali torturados e mantidos em condições sub-humanas por seus colonizadores.

Posteriormente, durante a Guerra do Vietnã, Hỏa Lò foi também utilizada pelos Vietiennes para abrigar os soldados americanos, quando foi batizada de Hanoi Hilton. Com um apelido destes, deu pra entender que o tratamento era um pouco melhor. A entrada na prisão custa VND 30.000, cerca de R$4,00, e a visitação pode ser feita diariamente, das 8h as 17h.

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Esculturas realistas dos prisioneiros políticos durante a colonização francesa, na Hỏa Lò Prision

Mausoléu e museu de Ho Chi Minh e o One Pillar Pagoda

Seguimos a programação conferindo o imponente Mausoléu de Ho Chi Minh.  Pra quem não sabe, Ho Chi Minh foi o líder da Revolução Popular Comunista, tendo exercido papel fundamental não só na independência da antiga colônia francesa, mas posteriormente, já como estadista, na vitória na Guerra dos Americanos, como por aqui é chamada a Guerra do Vietnã.

Estes dois processos, que se sucederam no decorrer de poucas décadas, em suas perdas e conquistas, marcaram profundamente a história vigente do país, fomentando um culto à sua pessoa. Bem verdade que este culto foi também estimulado pelos mandamentos de Ho Chi Minh, por um lado egóico, como também, pelo próprio regime. Ainda hoje, sua imagem é presente em quase todas as construções públicas e nos altares de famílias, existindo uma certa censura àqueles que atentam de qualquer forma ao pai da revolução.

No interior do mausoléu está o seu corpo embalsamado e preservado em um caixão de vidro, muito embora fique a ressalva que este desejasse ser cremado. Para entrar é necessário cumprir uma série de exigências: vestuário apropriado, andar em fila, sendo vedado qualquer registro fotográfico ou apontar para o líder. Olha que tem um batalhão de guardas por lá!

A entrada é gratuita e as visitas, no geral, podem ser realizadas de terça a quinta e aos sábados e domingos, das 8h as 11h30. Mas essa programação pode mudar sem aviso prévio. Acabamos que não entramos em seu interior, mas se este for seu desejo, programe-se para chegar cedo, pois são bem comuns longas filas.

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O imponente Mausoléu de Ho Chi Minh

Bem próximo ao mausoléu fica o Museu Ho Chi Minh, onde é possível aprender um pouco da a importância desse líder para o povo vietnamita. A entrada custa 25 mil dongues, cerca de R$ 3,50. Horário de funcionamento: Às terças e quintas e aos sábados e domingos, o museu funciona das 8 as 16:30h. Às segundas e sextas, o horário é reduzido, das 8 as 12h.

E ao lado do museu fica o One Pillar Pagoda, um templo budista minimalista de quase mil anos, com arquitetura inspirada na flor de lótus. Como o nome deixa explícito, um único pilar central sustenta seu pagoda, no meio de um pequeno lago. Nada tão surpreendente se você está vindo de outros países budistas do Sudeste Asiático. De qualquer maneira, a entrada é gratuita, ficando aberto das 8 as 17h.

Trấn Quốc Pagoda

Continuamos percorrendo as ruas da cidade até o templo budista mais antigo da cidade o Trấn Quốc Pagoda é uma caminhada boa, então se estiver cansado você pode pegar um táxi. Além da bela vista para os lagos Hồ Tay, à oeste, e o Truc Bach, o destaque está em sua torre central de 15 metros de altura e 11 níveis, cada nível com 6 portas, guardada cada uma, por uma estátua de Amitabha.

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Lago Hoan Kiem

Por fim, terminamos nossas primeiras 24 hrs com rolinhos vietnamitas e um passeio pelo belo Lago Hoan Kiem, já nas proximidades do Old Quarter, onde ficava nosso hotel. O Lago Hoan Kiem é um cantinho de paz no meio de caos da região central onde a população local se exercita, pesca e tem seus momentos de lazer, então é bem interessante andar por lá observando essa dinâmica.

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Reflexos no Lago Hoan Kiem, dividindo o Old Quarter do bairro francês

No meio do lago fica o pequeno Templo Ngoc Son, que a noite fica ainda mais bonito, quando ele e sua ponte vermelha ficam iluminados. A entrada custa cerca de 30 mil dongues, cerca de R$4.

Roteiro dia 2

Old Quarter

Começamos o dia nos perdendo pelas construções antigas e amontoadas do Old Quarter de Hanói. Por lá é onde tudo acontece: lojinhas, pequenos restaurantes, feiras, hostels e cafeterias dividem espaço com turistas e moradores comendo nas calçadas. Apesar de ser bem seguro, como é uma região muito movimentada é sempre bom ficar atento aos pertences e não dar mole.

No Old Quarter confira o Van Mieu, o Templo da Literatura, construído em 1070 em homenagem à Confúcio. Em seu interior, onde ficam belos jardins, funcionou a primeira universidade do país, por mais de 700 anos. Inclusive, o nome de seus alunos, todos membros da nobreza, estão entalhados em tartarugas esculpidas. Por muito tempo, considerou-se que tocar nestas esculturas traria sorte. Mesmo sendo hoje proibido, manteve-se a tradição de ser um photo spot para fotos dos formandos locais. O templo fica aberto das 8h as 17h e custa 30 mil dongues, cerca de R$4.

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Continue se perdendo por entre as vielas do Old Quarter até a Memorial House. Uma casa tradicional restaurada e lindamente decorada, onde podemos ter uma ideia da arquitetura do interior das construções do bairro. O ingresso custa 10 mil dongues, cerca de R$1,50, funcionando das 8:30h as 17h.

Outra parada obrigatória é no Bach Ma, um pequeno templo no coração do Old Quarter, que é tido como um dos mais antigos da cidade. A entrada é gratuita e o horário de funcionamento é de terça a domingo, das 8h as 11h e das 14h as 17h, fechando no meio do dia.

Por fim, confira a St. Joseph Cathedral, uma catedral cristã monumental no meio do bairro tradicional da cidade.

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Cidadela de Hanói

Seguimos para a Cidadela de Hanói, em frente à praça Ba Dinh. Trata-se de um conjunto de estruturas, palácios e ruínas antigas construídas como cópia da Cidade Proibida de Pequim, que atualmente é Patrimônio Mundial pela Unesco. A Imperial Citadel ocupa uma área de mais de 18 mil metros quadrados no coração de Hanói, tendo sido símbolo do poderio militar do país.

Em seu interior fica o Museu da História Militar do Vietnã, que estava fechado no dia em que passamos por lá, e a Torre da Bandeira, construída em 1812 como símbolo da cidade, além dos belos portões norte e sul. De qualquer maneira vale a pena conferir o sítio arqueológico como um todo.

A noite, é sempre uma boa pedida conferir o mercado noturno local, tradicional de todas as cidades do Sudeste Asiático. O Hanoi Night Market é melhor lugar na cidade para comprar bugingangas e se aventurar na comida de rua, que, por aqui, merece um destaque especial. Só não se esqueça de pechinchar.

Outra opção são os famosos Teatros de Fantocheswhater puppet theater, que apesar de não ter conferido, ouvi dizer que não é tão furada quanto parece a princípio. Na verdade podem ser bem interessantes, considerando que são bem feitos e os músicos tocam ao vivo, sendo uma tradição centenária e típica do país.

O que provar

Pratos típicos

O Vietnã é muito famoso por sua culinária tradicional, com sabores diferentes da região. Não deixe de provar o gỏi cuôn, o rolinho vietnamita – um rolinho primavera fresco, cru, apenas com o papel de arroz umedecido – e o pho – noodles ensopados em um caldo de legumes, gengibre e claro, pimenta, servido em versão com carne, normalmente de porco no prato chamado de bún cha.

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Para mais informações sobre pratos para não deixar de provar no Sudeste Asiático confira esse post.

Pode ser interessante procurar alguma experiência gastronômica, como um tour de comida de rua, ou algo do tipo, com a Back Street Academy ou até mesmo no AirBnB. Este serviço de experiência, recém lançado na plataforma, nos conecta à locais querendo apresentar o melhor de sua cidade.  🙂

Cafés

Além disso, outro produto que rende fama ao país é o seu café. Um lugar muito recomendado é o Koto, um café-bar-restaurante nos arredores do Templo da Literatura, com pratos vietnamitas e menu de culinária ocidental. Se quer algo mais tradicional procure o Café Duy Tri, que está na mesma localização desde 1936 ou o Café Pho Co, conhecido pelo caphe trung da, café com creme, que oferece também uma bela vista para o Lago Hoan Kiem.

Onde se hospedar

Nos hospedamos no pequeno hotel no Old Quarter o Golden Land Hotel e no geral, foi uma experiência satisfatória. Inclusive, o recepcionista, Sam, ficou meses em contato comigo por e-mail acertando todos os detalhes do passeio de Halong Bay. Deixamos todas as nossas malas no hotel em Hanói e depois retornamos para curtir um pouquinho mais da cidade. Se quer uma opção mais boutique, o Hanoi Elite é também uma boa opção.

Mas, como sempre, vale a pena conferir o AirBnB. Sou uma grande fã da proposta do site e da possibilidade de ter uma experiência mais autêntica que este proporciona. Se está mochilando, não faltam opções de hostels baratos na região do Old Quarter como o May de Ville Backpackers, o Hanoi Hostel e o Hanoi Backpackers Hostel. De qualquer maneira, recomendo se hospedar no bairro, para poder se locomover a pé e ter variedade de  opções para comer.

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Moto pra todo lado no Old Quarter de Hanói

Bate e volta Halong Bay

No nosso caso o dia 1 e o dia 2 foram alternados com a ida à Halong Bay. Você pode acertar a ida até lá por e-mail com a sua hospedagem. Optamos pela opção de dormir uma noite no barco e ficamos satisfeitos. O passeio, apesar de extremamente turístico, é de fato muito bonito, fora a experiência de dormir dentro de um barco, que para mim é sempre interessante.

Impressões finais desta viajante

Foi uma estada curta, mas gostei do que vi e fiquei com muita vontade de voltar e conhecer mais do país, descendo para região sul, indo até Ho Chi Minh City, a antiga Saigon, passando na cidade gracinha de Hoi An. O Vietnã é um país denso e com muita história, que gostaria de ter visitado com muito mais calma do que pude.

De qualquer maneira, destas 48 horas na capital Hanói, ao estilo Anthony Bourdain, ficou o lembrete de sempre procurar entender o outro lado da história e de se perder o máximo que puder nas vielas de Hanoise, pois é neste caos que nós deparamos com sua beleza.

Planejando uma viagem para o Sudeste Asiático? Confira o nosso arquivo!

Bom giro! 🙂

 

2 Comentários

Daniel Toffetti 23/11/2017 - 12:30

Quero! =)

Reply
João 22/10/2018 - 05:01

Tem de voltar só para fazer uma tour de comida 🙂
Tour de comida em Hanoi

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