Fui Sozinha: Kuala Lumpur

Se você está planejando uma grande viagem para o Sudeste Asiático provavelmente acabará passando por Kuala Lumpur em alguma hora, já que é um dos maiores hubs, centros de aviação comercial da região.  Portanto, seja fazendo uma conexão longa ou em alguns dias na cidade, aqui vão alguns passeios para se aventurar em KL, em mais um relato do meu mochilão.

Fui Sozinha

Esse é mais um post do Fui Sozinha: para encorajar, sobretudo nós mulheres, a colocarmos a mochila nas costas e nos jogarmos nesse mundo, sem medo. A minha aventura asiática só decolou quando eu decidi que iria independentemente de qualquer coisa ou companhia. Acabou que dos 4 meses de viagem, fiquei apenas um propriamente by myself, mas o que eu posso dizer é que todo mundo deve viver  essa experiência pelo menos alguma vez na vida, nem que seja em uma viagem pertinho de casa.

Das lições que ficaram sobre viajar sola, a principal é que a melhor companhia é sempre a nossa própria: é nossa sombra e apenas ela que nos segue e nos seguirá por toda essa vida e apreciar isso é  algo muito enriquecedor e libertador. Uma dose gigante de amor próprio e de encontro com o ser que transforma a essência e vicia.

As outras lições foram mais medos e dificuldades vencidas – nós mesmos, e mais ninguém, que traçamos os caminhos das nossas viagens. Quer ficar sozinho no hostel de pijama vendo série? Pode. Quer conhecer gente e fazer amigos de todos os lugares do mundo? Pode. Quer andar e conhecer tudo sozinho? Pode também. Você quem manda. E só fica sozinho se quiser, companhia de outras pessoas vivendo o mesmo não faltará se você quiser agregar gente à sua jornada.

E por fim, mochila leve e peito estufado cheio de coragem, sempre. Perigo existe em todo lugar, mas as inseguranças quase sempre estão dentro da nossa cabeça e não do lado de fora. Acredite, existe muito mais gente do bem que do mal nesse mundo e reconhecer isso é algo também muito inspirador. Se permitam que essa vida é passageira e o que fica são nossas descobertas.

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Tudo junto e misturado: um pouco mais sobre KL

Kuala Lumpur, carinhosamente chamada de KL, é  a capital e maior cidade da Malásia, sendo o centro econômico e cultural do país. Fundada por imigrantes de várias regiões da Ásia – sobretudo chineses, indianos e árabes que vieram para a região em meados do século XIX para trabalhar nas minas de estanho malaias – “a Kuala Lumpur”, a confluência enlameada dos rios, que dá nome à cidade, vigentemente é uma grande metrópole onde vivem mais de 7 milhões de pessoas.

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Famosa por seus arranha-céus e shoppings, KL pode ser muito mais interessante do que isso em termos de experiência cultural já que preserva e mistura as tradições destas diferentes comunidades que fundaram a cidade em um sincretismo muito particular. É um verdadeiro caldeirão cultural onde todos vivem juntos e misturados: chinês–muçulmano, amigo de indiano, irmão de árabe. Andando pelas ruas ou no vagão de metrô me pegava apreciando essa riqueza, viajando nessas diferentes existências, até então desconhecidas.

A multietnicidade foi o que mais me impactou nos meus dias por aqui, entre mesquitas, templos hindus, lojinhas de produtos chineses e restaurantes birmaneses. E apesar da língua oficial ser o malaio, facilita bastante o fato de grande parte da população falar inglês como herança da triste colonização inglesa sobre o país.

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*Para todos os valores, saiba antes: 1 real ~ 1,3 RM

O que fazer em KL

Batu Caves

Uma das principais atrações da cidade, no distrito de Gombak, a 17km do centro da cidade são as Batu Caves. Trata-se de um grande centro de peregrinação hindu, famoso pela enorme estátua dourada de Murugan de 43m de altura aos pés de suas escadarias de 272 degraus que dão acesso aos templos que ficam no interior de suas cavernas – para você ter uma ideia do tamanho, o Cristo Redentor, símbolo daqui do Rio, tem 30m de altura.

Durante o Festival Hindu de Thaipusam, mais de um milhão de devotos e turistas saem em procissão do centro de Kuala Lumpur em uma caminhada de 8 horas até as Batu Caves. No mínimo é um lugar pitoresco e cheio de macaquinhos, que nos permite conhecer mais da cultura indiana em um país cuja maioria esmagadora da população é muçulmana. Do lado de fora além de outros pequenos templos, há uma feirinha cheia de quitutes indianos que é uma boa pedida para a hora do almoço.

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A gigantesca estátua de Murugan, em obra, na estrada da caverna principal

A dica para este passeio é chegar cedo, já que costuma ficar bem cheio de fiéis e turistas. Tome cuidado com os macacos que podem pular em mochilas atrás de alimentos e não esqueça de usar roupas de templo frescas – ou seja, nada de shorts, apesar do calorão – ou terá que alugar um sári na entrada.

Como chegar: a melhor maneira é de trem partindo da KL Sentral para a estação Batu Caves. Horário de funcionamento: 7 – 19 horas.

Merdeka Square

Este quarteirão é o de maior importância para a cidade de Kuala Lumpur, já que era o centro da colonização britânica e onde foi proclamada a independência da Malásia em 1957.

Os destaques são o enorme campo de cricket, o mastro da independência e seu monumento, além dos prédios históricos da Mesquita Masjid Jamek e o Sultan Abdul Samad Building, que mistura influências britânicas, malaias e indianas. Nesta região fica também a KL City Gallery, onde fica o I ❤ KL. Nos fins de semana muitas famílias se reúnem aqui para as crianças brincarem no campo. Quando eu fui, tava rolando inclusive um festival com muitos food trucks.

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Sultan Abdul Samad Building

Dica: se você vai passar um sábado na cidade, recomendo conhecer esta região no night walk que conto abaixo. 🙂

Petronas Towers

As Torres Petronas são atualmente as mais altas torres gêmeas do mundo, com 452m de altura. Não é à toa que são ícone de Kuala Lumpur, visíveis de quase toda a cidade, já que são gigantescas. Vale a pena chegar pertinho delas, já que são de fato impressionantes, sendo que a noite, quando iluminadas, elas ficam ainda mais bonitas.

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O topo das Petronas, avistadas do Heli Lounge Bar

Em seus arredores fica o Kuala Lumpur City Center uma região da cidade muito amistosa, cheia de restaurantes e bares.  Quando fui, rolou inclusive um balé de luzes e águas, por lá, no chafariz do Suria KLCC, o que foi bem interessante, sobretudo, por reunir muitas famílias locais, que passeiam pela região.

Se você quiser é possível ainda subir no alto das torres (preço: 85 RM), passando pela passarela que às une, no entanto, acho que o mais legal é contemplar o tamanho monumental da construção do chão mesmo, até porque ai não temos que pagar nada, né.

KL Tower

A Menara KL, conhecida como KL Tower, é  uma torre de 421m de altura, uma das mais altas e famosas do mundo, sobretudo pelo seu piso de vidro no sky deck. Para subir nela, no entanto, o valor do ingresso é bem salgado (preço: 105 RM). Como existem outros mirantes na cidade, acabou que não subi, apenas passei pertinho e contemplei do alto do Heli Lounge Bar.

Endereço: No. 2 Jalan Punchak Off Jalan P.Ramlee

Kuala Lumpur Night Walk

Essa foi uma dica que eu peguei com duas alemãs, Alina e Laura, que conheci no hostel que me acompanharam no passeio – por isso é sempre legal estarmos abertos para conhecer gente, viajando sozinho ou não.

O tour que é gratuito e em inglês, é feito todos os sábados às 19 horas, com guias locais que nos apresentam a história da cidade, seu centro histórico e um pouco da vida noturna de KL, passando por cafés, mesquitas, mercados, lojas tradicionais, monumentos, etc –  passamos até mesmo em num cinema de Bollywood!

Mas o que mais gostei do passeio foram as paradas nos night markets da Little India, onde nos apresentam as melhores comidas típicas, que são oferecidas pelas mãos daqueles que as fazem desde sempre, com uma troca de sorrisos. No final, ainda entramos em um musical sobre a história de Kuala Lumpur, tudo isso sem pagar nada.

Mais informações: O passeio dura cerca de 2:30 hrs e andamos bastante, portanto vá com sapatos confortáveis. O ponto de encontro é no Arch Café às 18:30. Endereço: Arch Café, Lot No. G01 and G.03A, Ground Floor, Pacific Express Hotel, Jalan Hang Kasturi, 50050, próximo da estação Masjid Jamek.

Heli Lounge Bar

Normalmente roof tops não são muito a minha praia, mas o Heli Lounge é bem diferente, já que seu segundo andar é uma verdadeira pista de pouso de helicópteros, transformada em bar com vista 360º da cidade, incluindo um visual de frente para as Petronas e KL Towers e se der sorte, um belo pôr do sol.

Existem outros roof tops famosos na cidade como o Sky Bar, mas acho que não tem um clima descontraído, ou são mais caros. Para subir no Heli Lounge, basta consumir uma bebida qualquer.

Endereço: Bukit Bintang 34th Floor, Menara KH, Jalan Sultan Ismail.

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Por do sol visto do Heli Lounge

Bate e volta em Malaca

Acabou que não fui à Malaca (Melaka), a cidade histórica que já foi um entreposto português, como também, britânico e holandês, ao longo de sua história, mas me arrependi bastante de não ter ido, sobretudo, por ser uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre a visão asiática da colonização europeia, além da cidade ser uma graça. 😦

Normalmente, os viajantes que vão para Cingapura, aproveitam para conhecer e pernoitar em Malaca, seguindo viagem para a Cidade Estado no dia seguinte. Se este não é o caso, ainda assim dá para conhecer o antigo entreposto num bate e volta de Kuala Lumpur, seja de ônibus, passeio fechado ou motorista, já que a cidade fica à 140km de distância da capital.

Compras

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Kuala Lumpur é famosa pelos shoppings gigantescos, que muitas vezes possuem produtos de marcas internacionais com ótimos preços. Mochilando, ainda mais por muito tempo, a gente não faz muita compra por motivos de economia e peso. Mas se este não é o seu caso, aqui pode ser o lugar para fazer umas comprinhas, sobretudo de eletrônicos e roupas. Sem falar das feiras de rua da Little India e da China Town, em que podemos fazer aqueles achados e comer uma boa comida típica.

De qualquer maneira recomendo visitar ao menos uma praça de alimentação, que por aqui (como comentei no post de Cingapura), possui um conceito bem diferente do que temos no ocidente, com infinitas possibilidades.

Quanto tempo ficar

Eu nunca gosto de determinar quantos dias são necessários para conhecer um destino. Isso é sempre particular de cada um. Acabou que na minha viagem fiquei 4 noites por aqui. Poderia ter sido menos, poderia ter sido mais. Para mim foi o tempo necessário. Em poucos dias ou em um stopover já podemos ter uma noção do que é Kuala Lumpur, mas para mim ter mais tempo por aqui foi proveitoso para entrar num ritmo menos frenético, depois de algum tempo viajando.

Onde se hospedar, como se locomover em KL

Mochilando ainda mais sozinha, recomendo quase sempre ficar em hostels. O escolhido pelo Hostels World foi o simples Sunshine Bedz: wi-fi, banho quente, torrada, chá e geleia por valor justo (preço: 35 RM). Outro hostel bem famoso é o Reggae Mansion.

Se não for o seu caso, de qualquer maneira recomendo bastante a região do bairro Bukit Bintang, ou qualquer região relativamente central que tenha um metrô por perto – melhor maneira para se locomover por KL, apesar de ter explorando muito à pé também com o aplicativo maps.me, que sempre salva.

Para sair do aeroporto KLIA para o centro, até a KL Sentral, fica a dica do Sky Bus (preço: 11RM). De lá da estação central é possível tomar um táxi ou metrô até sua hospedagem, só não esqueça de trocar um pouco de dinheiro antes. 🙂

Impressões finais de KL

Kuala Lumpur foi sem dúvidas uma surpresa positiva para quem não esperava absolutamente nada e só tinha programado uns dias por ali, já que já estaria do lado. Tratando-se de uma grande cidade, tudo era de alguma forma familiar e totalmente diferente.

Entre o clima de metrópole cosmopolita e a mistura de povos, sem dúvidas o que me encheu os olhos e fez minha estada valer a pena foi o acréscimo de novas possibilidades e olhares desta existência única e misturada da cidade, que se mostrou também bastante segura para uma viajante sola.

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Mais Malásia

Se quer conhecer mais deste país encantador, não deixe de conhecer também Penang, um dos melhores destinos para comer no Sudeste Asiático, Cameron Highlands e suas plantações de chá, Borneo, (por que não?) e o arquipélogo de Langkawi – que foi por onde entrei no país por mar, já que vinha de Ko Lipe, no sul da Tailândia. Depois conta para nós!

DICAS PARA PLANEJAR SUA VIAGEM (4)

ROTEIRO PERSONALIZADO – nós planejamos toda sua viagem e entregamos um roteiro detalhado com sugestão de passeios dia a dia, dicas de restaurantes, locomoção e melhores atrações. Também fazemos assessoria de passagens aéreas, hotéis e tudo que você precisar. Perfeito pra quem ama viajar, mas não gosta ou não tem tempo de se programar.

HOSPEDAGEM – reserve seu hotel com o nosso link do Booking e ajude a manter o blog no ar! Não tem nenhuma alteração de preço pra você, mas nós ganhamos uma pequena comissão.

ALUGUEL DE CARRO – nosso parceiro de reservas é o RentCars, que faz busca das melhores tarifas com as principais locadoras.

Bom giro! 🙂

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