Fui Sozinha: Cingapura

Fazendo escala ou não, dicas para aproveitar Cingapura, explorando sozinho ou em boa companhia

Por que Cingapura?

Cingapura é uma Cidade Estado que resume perfeitamente aquele estereótipo de cidade asiática organizada, desenvolvida e multiétnica que temos em algum lugar em nosso imaginário… Só que muito mais quente, futurística e única do que imaginamos!

Além disso, o ultra moderno aeroporto Changi, é um dos hubs mais importantes da Ásia, que conecta quase todos os lugares com uma grande variedade de companhias aéreas baratas. Não é à toa que muita gente que tá indo pro outro lado do mundo passa por Cingapura fazendo escala, ao estilo Anthony Bourdain, explorando em um pit stop este destino eclético e famoso pelas aventuras gastronômicas, aproveitando para colocar mais um alfinete no mapa.

No meu roteiro pelo Sudeste Asiático, acabou que fiquei vários dias por lá, até mais do que o necessário para a pequena cidade, mas foi ótimo para descansar e conhecer um pouco mais da cultura local junto das novas amizades que são feitas pelo caminho.

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CBD, visto de frente, da Marina Bay Front

Sozinha em Cingapura

Cingapura é um dos lugares mais seguros do mundo. Por aqui não existe crime, drogas, desemprego ou problemas sociais. Saindo da colonização britânica, esta pequena Cidade Estado é vista como uma história de sucesso asiática, mas toda moeda tem dois lados. A vida é muito regrada e controlada: é proibido quase tudo. Mascar chiclete, inclusive, beijar em público também, comer no metrô então… Nem se fala. Não é à toa que um dos símbolos das lojinhas de bugigangas turísticas é o policial.

Só para ter noção, na chegada minha bagagem despachada passou no raio X e meu spray de gengibre de defesa pessoal – que me acompanhou por tantas viagens sozinhas e com amigas – foi confiscado. Foram muitos minutos tentando explicar o que era para sair do aeroporto apenas com uma advertência, mesmo não sendo um spray de pimenta.

Às vezes andando pelas ruas  de Cingapura eu me sentia quase como em um universo ficcional high-tech e pensava como seria minha vida se tivesse nascido como protagonista daquele lugar que me parecia um tanto quanto artificial. Mas, o lado bom para nós que estamos de passagem é a liberdade de turistar sem preocupação, ainda mais sendo mulher e viajando sola. Sem falar que facilita muito o inglês ser o primeiro idioma.

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Gisele, eu e Victor, viajar sozinha significa sempre novas amizades 🙂

Highlights: explorando a cidade


Colonial District

O distrito colonial é o coração de Cingapura, onde ficava o centro do poder britânico, mantendo uma mistura retro-futurista, com os prédios do CBD – Central Business District ao fundo. Caminhe por suas ruas e confira o Victoria Concert Hall & Teatre, o Old Parliament House, antigo Parlamento que hoje é um centro de artes, a St. Andrew’s Cathedral, o Citty Hall e a Old Supreme Court.

Além destes prédios históricos, no Colonial District e em seus arredores existem vários museus que valem a pena conferir caso tenha uns dias a mais por aqui como o National Museum of Singapure, o Asian Civilizations Museum e o Peranakan Museum.

Fui no National Museum e curti bastante o complemento que este me proporcionou sobre a história local, da colonização britânica, à independência da Malásia até um passado pouco distante com os programas sociais de natalidade e de HDB public housing e o presente de riqueza, prosperidade em um ambiente rígido e pouco democrático.

Dica: os Museus são gratuitos para estudantes e para o público em geral nos fins de semana. 🙂

Marina Bay

Ao sul do Colonial District, fica a Marina Bay, distrito financeiro de Cingapura, onde foram construídos arranha-céus que se tornaram icônicos como o hotel Marina Bay Sands e sua piscina de borda infinita. Por lá também fica a roda gigante, o famoso e futurista Gardens By The Bay, com suas belas árvores artificiais que se iluminam todas as noites, e o Merlion, o chafariz metade leão e metade peixe, símbolo da Lion City.

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Gardens By The Bay

Tirando o Merlion, que é um monumento, subir nestas atrações turísticas pode ser bem caro, mas, de qualquer maneira, é interessante ir até o Bay Front apenas para curtir o visual.

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Os novos e não tão novos cartões postais: Marina Bay Sand e Merlion

Botanic Gardens

O grande destaque é o orquidário, com uma enorme coleção de plantas da espécie, cuidadas com meticulosidade. Pode ser uma boa pedida para um passeio diurno ou até mesmo para um piquenique, por quê não? A entrada do jardim é gratuita, no entanto o ingresso do orquidário é pago à parte (6 SGD).

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Não existe nada mais Cingapura do que um “photo spot”
– foto: Victor Aragón

Little India

A Little India é um universo à parte de Cingapura. Se aventure por entre lojinhas de ouro e tecidos, templos hindus e restaurantes que podem te levar em um teletransporte para este país – em que corre o risco de você ser a única pessoa não-indiana e ter que solicitar talheres por inabilidade de comer com as mãos, usando o naan, o pão indiano!

Meu hostel, na Lavanda Street, ficava relativamente próximo do bairro e explorá-lo durante a viagem foi bem divertido.

China Town e CBD

Arquitetura tradicional, lanternas, lojas de produtos chineses inusitados e ao fundo o contraste dos prédios modernos do CBD. Este é o melhor lugar para se aventurar nas Hawker Centres, as praças de alimentação com um conceito bem diferente do que temos no ocidente, como a da Maxwell Road e a da Smith Road. Conheça esta região durante dias de semana, já que nos fins de semana fica tudo fechado.

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Outras opções do que fazer

Clarke Quay

Bairro noturno com charme antigo, cheio de bares, restaurantes requintados e boates. Se você curte a noite este é o lugar certo.

Rooftop e Tiger beer

Subir em algum rooftop como o do Marina Bay Sands e tomar uma Tiger beer, a cerveja de Cingapura, curtindo a vista da cidade e do rio pode ser uma experiência bem diferente. Se for no pôr do sol, melhor ainda! Como tava economizando, acabou que não fui já que os ingressos para subir custavam 18 SGD, sem bebida.

Sentosa, zoos, parques temáticos e safaris

Cingapura é um destino eclético, que pode atrair os mais diferentes viajantes. Esse tipo de turismo não é muito a minha praia, por ser, para mim, muito artificial. O Universal Studios pode ser bem divertido, mas como já tinha ido em outros lugares, não animei  muito de ir dessa vez. Se curte esse tipo de passeio, entretenimento não faltará!

O melhor programa: comer em Cingapura

Comer por aqui é a experiência mais autentica que você pode ter. Mas, como você já deve saber, Cingapura é um destino caro, sobretudo para quem está vindo de outras regiões do Sudeste Asiático e já está acostumado a não pagar muito por quase nada, como foi meu caso. Mas a boa notícia é que comer bem e barato é uma obsessão local.

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Em Cingapura temos a chance de viajar por várias gastronomias: chinesa, indiana e malaia, em um só lugar: em uma food courtque por aqui equivale à comida de rua – barata, idolatrada e com um rígido controle de higiene.

Se no ocidente o conceito de praça de alimentação se resume normalmente a uma comida genericamente ruim, nas metrópoles asiáticas são nestes hawker centres que podemos vivenciar a paixão por comida em uma variedade quase que ilimitada de culinárias diversas.

Principais hawker centres

Se só tiver tempo para experimentar um, vá ao Hawker Centre Maxwell Road, localizado no final da China Town, que talvez seja o maior e melhor lugar para experimentar o chicken rice, o prato mais amado de Cingapura, por menos de 3 SGD.

Confira também a Smith Street na China Town, que não é propriamente uma food court, mas continua com a mesma atmosfera – onde fica inclusive o Hong Kong Soya Sauce Chicken Rice Noodle, o restaurante com 1 estrela Michelin mais barato do mundo. Minha conta de porco, frango e noodles, com bebida deu 8 SGD, mas no geral, a experiência pode ser um pouco decepcionante se você não compreender a tradição que está por trás do preparo destes pratos.

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Smith Street com o CBD ao fundo

Outras opções interessantes são a Old Airport Road, que normalmente só tem locais sedentos pelo chilli crab e, por fim, Lau Pa Sat, que funciona à noite no coração do CBD.

Da China Town à Little India, embarque nesta aventura gastronômica: aproveite para comer também o famoso pato laqueado chinês, sem falar  dos restaurantes de bentô, de din sun e das múltiplas possibilidades de comidas que podem ser consumidas em um saquinho em uma fusão de culturas.

Entre cantinhos inusitados indianos ou em restaurantes de frutos do mar malaios, Cingapura talvez não seja o destino que vai te marcar pela comida mais deliciosa para nosso paladar ocidentalizado, mas sem dúvida a gastronomia é parte essencial de sua cultura, então permita-se explorá-la, pois a experiência, por si só, valerá a pena!

E se você quiser, não faltam opções requintadas, estreladas e moleculares. Comida é religião por aqui, o que varia apenas é o preço da conta.

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Onde fiquei

Como estava mochilando, fiquei num simpático hostel o Green Kiwi que tinha um café da manhã bem razoável para albergues. Mas se este não é seu caso, recomendo opções que fiquem na China Town, nos arredores do CBD, ou na Lavanda Street. AirBnB pode ser uma excelente alternativa, sobretudo por não ser um destino barato.

Locomoção: saindo de Changi e andando pela cidade

Chegando em Cingapura, uma boa opção, se você não tiver com muita bagagem, é o metrô que liga o aeroporto Changi à cidade por 2 SGD. Usei muito o transporte público por lá, sobretudo o metrô ultra moderno, via mais econômica e que interliga quase tudo. Mas se está chegando de madrugada ou com bagagem os táxis do Changi para a região central saem por cerca de 20 SGD.

Quando ir e quantos dias ficar

Como mencionei, acabou que fiquei 5 noites por aqui e pode ter sido tempo demais, na minha opinião. Em 2 ou 3 noites conseguimos ter um boa noção do que é Cingapura, já que é uma cidade bem pequena. Mas se você é super urbano fique mais tempo.

O clima não é muito problema já que é quente ou muito quente o ano todo. Se puder escolher uma data, venha no Chinese New Year, maior festival da cidade, que acontece em janeiro ou fevereiro, dependendo do calendário chinês.

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Impressões finais

Cingapura é um lugar único e que vale a pena conhecer, sobretudo se você é um entusiasta de gastronomia e planeja uma viagem pro outro lado do mundo com um pit stop por aqui.

Sem dúvida valeu ir, colocando mais alfinete no mapa e entendendo mais sobre este canto do planeta em que estamos inseridos. Mas, se você me perguntar se eu voltaria, não sei se a resposta seria sim. Só que isto é uma impressão desta viajante, baseada no tipo de turismo que eu gosto de fazer.

Para assistir e se inspirar antes de ir

Anthony Bourdain, Sem Reservas, Cingapura

Quer ver outros posts da Aventura Asiática? Confira o nosso arquivo!

Bom giro! 🙂

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