Guia da Zona Arqueológica de Angkor, em Siem Reap, Camboja

Montamos um guia completo com todas as informações para quem vai conhecer o complexo de templos de Angkor ou quer apenas viajar virtualmente

A zona arqueológica de Angkor, localizada na cidade de Siem Reap, ao norte do Camboja, está na lista de destinos de 9 em cada 10 viajantes que planejam um roteiro pelo Sudeste Asiático. Tem muita gente que, inclusive, programa uma viagem pela região só para poder ver seus famosos templos com seus próprios olhos – se beliscando para crer que é realidade.

Angkor, que é Patrimônio Mundial da Unesco, está naquele seleto grupo de lugares em que a realidade conseguiu superar a expectativa, e olha que a expectativa era altíssima!

Além do templo principal, o monumental Angkor Wat, são dezenas de construções e ruínas abraçadas pela natureza, que nos levam numa jornada inspiradora em alguns capítulos da história deste país que renasce no seu orgulho dos tempos áureos do Império Khmer e nas esperanças de um futuro mais próspero.

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Saiba mais sobre o Reino Khmer e sobre Angkor

Angkor, que em tradução literal significa Cidade Sagrada, foi a capital do Império Khmer, que floresceu entre os séculos IX e XIV. Atualmente, é o sítio arqueológico mais importante do Sudeste Asiático, para não dizer do planeta. O complexo de sua zona arqueológica estende por cerca de 400 quilômetros quadrados!

Durante o apogeu do Império Khmer, Angkor chegou a ser a maior cidade pré-industrial do mundo, com quase um milhão de habitantes. Neste período, inclusive, a extensão do império correspondia a quase todo o território do Sudeste Asiático.

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O colossal Angkor Wat – considerado o maior monumento religioso do planeta e a oitava maravilha do mundo – é seu templo principal e símbolo nacional, impressionando pela simetria, grandiosidade e simbologia. Famoso pelo amanhecer, em que suas torres se refletem em tons coloridos nas águas do lago, Angkor Wat foi construído a mando do Rei Suryavarman II, que diz a lenda, teria assumido o poder após assassinar o seu antecessor enquanto este andava em seu elefante.

Entre áreas florestais, lagos e estradas que compõe uma paisagem belíssima, nos deparamos com magníficos templos budistas e outras ruínas destes tempos áureos e de períodos hinduístas anteriores – antes da conversão da religião oficial do Império Khmer para o Budismo, com o Rei Jayavarman VII.

 

Ao todo, entre pilhas de escombros de pedras e imponentes construções, foram catalogadas mais de 1000 templos. Muitas vezes nos perguntamos sobre as casas da população comum. Na grande maioria das vezes, estas não foram capazes de sobreviver aos séculos de abandono, já que, normalmente, eram feitas em madeira. Além disso, no caso de Angkor, grande parte do povo Khmer, ou ao menos as parcelas mais abastadas da população, viviam no interior dos templos principais, que funcionavam como verdadeiras cidadelas.

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O monumental Angkor Wat

A grandeza de Angkor é tamanha que não podemos acreditar que o Império Khmer teve um declínio tão rápido quanto a sua ascensão, tendo sido invadido no século XIV pelo Reino de Sião de Ayutthaya – que hoje seria o que conhecemos como Tailândia. Em que pese, o próprio nome Siem Reap, significar, literalmente, Sião derrotado, não foi exatamente isto que aconteceu.

No entanto, apenas agora a história desta civilização memorável começa a ser mais clara e concisa: A guerra e decadência econômica da região levaram ao abandono da antiga capital, que foi tomada pela selva e perdida por mais de um século, até que foi redescoberta pelo ocidente, em explorações missionárias portuguesas no século XVI e posteriormente francesas no século XIX, rendendo-lhe a fama de cidade esquecida.

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Uma das Naggas que protegem Angkor Wat

Verdade seja dita, Angkor nunca foi esquecida pelos cambojanos. Após a derrota, os fluxos econômicos e a população apenas migraram para a nova capital, Phnom Penh, fundada em 1432, assim como aconteceu com Ayutthaya, na Tailândia. Prova disso é que, apesar do restante da cidade ter sido tomada pela floresta, Angkor Wat, em si, continuou em atividade pelos monges budistas durante toda sua história. Você também não contaria para seu colonizador que tem um tesouro escondido…

Voltando ao presente, para completar, Siem Reap é a cidade base perfeita para viver esta aventura. Apesar de ter sido desenvolvida nos anos 60 para dar suporte ao turismo da região, foi nos últimos anos, com o fim definitivo do regime ditatorial do Khmer Rouge, que a cidade pode abraçar este viés, contando atualmente com uma ótima estrutura turística e excelentes restaurantes, além de muitas outras atrações para seus visitantes.

Sugestão de Roteiro

É impossível conhecer a zona arqueológica de Angkor em um único dia. Por isso, reserve ao menos dois dias inteiros apenas para seu sítio. Assim, você poderá fazer não só o  pequeno circuito, como também o grande circuito.

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Indiana Jones, no Ta Prohm

Dia 1: Pequeno circuito

Com os ingressos à mão, muita gente gosta de começar a expedição pela zona arqueológica de Angkor contemplando o famoso amanhecer em Angkor Wat, mas é bom checar a previsão do tempo antes para não madrugar à toa – no dia em que fomos o amanhecer foi mais ou menos, deu pra ver um belo reflexo do templo colorido pelas cores do céu no lago principal, mas não sei se compensou ter madrugado.

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Um amanhecer um pouco tímido em Angkor Wat

Indo para o amanhecer ou depois dele, reserve as primeiras horas da manhã para explorar o interior do templo. Angkor Wat é monumental, um impressionante e gigantesco resumo da genialidade Khmer, com suas cinco torres simétricas em perfil. Não deixe de subir no topo da cúpula central onde temos uma bela vista 360 graus de todo o planalto.

Terminando a visita de Angkor Wat, siga para o Ta Prohm Kel, antiga capela do hospital do império, e para o Phnom Bakheng, onde podemos ver Angkor Wat de outro ângulo, do alto de sua construção piramidal.

Talvez depois de algumas horas seja interessante uma pausa para almoço, para processar tudo o que você acabou de ver com seus próprios olhos. Dentro de Angkor e em seus arredores existem muitas opções de restaurantes, desde simples barraquinhas que vendem frutas, fried rice ou noodles, por cerca de U$2 ou restaurantes mais arrumadinhos, onde podemos provar pratos mais típicos do Camboja, como o amok fish.

 

Depois do almoço, continue o passeio por dentro da cidade murada de Angkor Thom. Siga pela entrada monumental do portão sul, o south gate, e chegue finalmente ao impressionante Bayon, templo budista do legendário Rei Jayavarman VII, com 54 torres góticas contendo cada uma 4 imagens da face de Avalokitshvara, cujo semblante se assemelha em muito com a face do próprio rei, representando seu poder e humanidade, como se este fosse capaz de olhar em todas as direções de seu território.

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Bayon

Passando rapidamente pelo Thommanon e Ta Keo, chegue até o Ta Prohm, o famoso templo do filme Tomb Raider, com Angelina Jolie. O templo, que é bem grande, foi engolido por figueiras e outras árvores enormes, tendo um visual incrível das ruínas abraçadas pelas raízes grossas destas árvores. Ande por seus pátios com calma apreciando sua rusticidade – talvez este seja o templo que dá a sensação de maior encantamento.

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No interior do incrível Ta Prohm

Se tiver tempo acabe o dia visitando o grande Banteay Kdei, as margens do Lago Srah Srang, que nos tempos antigos era a piscina pública do império. 🙂

Dia 2: Grande Circuito

Comece o segundo dia de zona arqueológica no Elephants Terraces, um terraço de 350 metros que era a antiga plateia de eventos do Império Khmer. Siga para o Baphuon, que foi recentemente restaurado, após ter sido praticamente destruído durante o período do Khmer Rouge. Este templo, apesar de ter estilo hindu, contém um enorme Buda reclinado em seu interior, bem interessante.

Veja o Preah Palilay, um pouco mais reservado, e, saindo pelo north gate, o Preah Khan, um antigo monastério também encoberto pelas raízes das árvores. Confira também o Neak Poan, cujo destaque é sua grande passarela sobre a água e o Prasat Pre Rub, templo de Shiva, com grandes terraços.

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Detalhes do Elephants Terrace

Como você pode ver são muitas ruínas e templos. Você pode escolher conhecer mais construções ou repetir o que mais gostou do pequeno circuito, podendo agora apreciar com mais calma. Afinal nunca se sabe quando se poderá ver outra vez com os próprios olhos Angkor Wat, que também fica belíssimo com a luz do por do sol.

Outros dias: passeios fora da zona arqueológica de Angkor

Sugiro que você reserve ao menos mais dois dias para poder explorar a província de Siem Reap e seus arredores, para além da zona arqueológica de Angkor. Adorei conhecer a vila flutuante do Lago Tonle Sap, além de outros templos mais afastados como o precioso Banteay Srei, o Koh Ker e o grande Beng Mealear.

Além disso, Siem Reap possui museus incríveis como o Angkor National Museum e o Cambodia Landmine Museum, que serão um excelente complemento à sua visita. Sem falar de aulas de culinária, danças e comidas típicas, spas, além de projetos super bacanas, como Artisans d’Angkor. Conto mais sobre estes passeios em outro post. 🙂

 

Como visitar

De tuk-tuk ou carro

É possível conhecer a zona arqueológica de Angkor de diversas formas. A grande maioria dos turistas escolhe fechar com um tuk-tuk (que cobram cerca de US$ 20 por dia de passeio, para 2 pessoas) ou um carro particular (US$ 80 por dia de passeio, para até 4 pessoas).

Por conta própria de bicicleta

Teoricamente, é proibido o uso de scooters por turistas na zona arqueológica. Mas há a opção de ir por conta própria alugando uma bicicleta normal ou uma e-bike (U$5-10, por dia), o que pode ser bem divertido – só não se esqueça de um mapa! 

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Tour

Outra opção é contratar um tour. A grande vantagem, neste caso, é poder contar com um guia profissional, capaz de complementar o passeio fornecendo explicações completas sobre os sítios arqueológicos, história e cultura do povo Khmer.

Guia

Se você, assim como eu, não curte muito grandes grupos de excursão, é possível também contratar um guia particular. Pra encontrar guias especializados, procure os da Associação do Ministério do Turismo, que oferecem tours privativos em inglês a partir de US$ 20.

Acabamos que não contratamos guia e ficamos apenas com o guia da Lonely Planet e com o guia de Angkor. Nos saímos bem apenas com os guias de papel, mas teria sido interessante ter mais informações, sobretudo no primeiro dia, no pequeno circuito, quando tudo é novidade.

Minha dica

Como mencionei, estava com meus pais nesta viagem e acabamos optando por contratar um motorista, que foi indicação de uma amiga, o Keo. Foi uma ótima opção, compensando bastante, já que estávamos em 3 pessoas – sem falar que entrar no carro geladinho era incrível depois de horas andando no calorão que fazia do lado de fora!

Fora o conforto do carro, recomendo muito o serviço do Keo, que é um amor de pessoa. Mesmo não sendo guia, nos ensinou muito sobre o povo cambojano e a cultura Khmer, além de nos levar em todos os cantinhos de Siem Reap e em alguns outros lugares fora da província.

 

Se eu fosse outra vez, contrataria o Keo para o primeiro dia, que é o mais cansativo, até porque ter um carro facilita bastante o processo de ir até Ticket Office (sobretudo se você quer ver o amanhecer em Angkor Wat). No segundo dia optaria por explorar livremente o sítio de bicicleta, voltando pro esquema do carro em um terceiro dia para conhecer a vila flutuante do Tonle Sap e outros sítios fora da província de Siem Reap.

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Outros lembretes

Não esqueça de utilizar roupas de templo, sem expor ombros e joelhos, pois é importante respeitar a cultura local. Como faz muito calor leve na mala camisetas de tecido fininho, que não esquentem muito. Além disso, seja cauteloso ao tirar fotos dos monges e respeite as regras do sítio arqueológico.

Leve também chapéu, sapatos confortáveis, câmera fotográfica, além dos ingressos, que devem ser comprados no Ticket Office! 🙂

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Valor dos ingressos

No primeiro dia da visita você deve ir até o Ticket Office, nos arredores da zona arqueológica, pra adquirir seu passaporte de Angkor. O ingresso de 1 dia custa US$ 37, o de 3 dias, US$ 62, e o de 7 dias, US$ 72.

É bom saber que este passaporte além de cobrir toda a zona arqueológica de Angkor, cobre também alguns outros sítios arqueológicos mais afastados, nos arredores da província de Siem Reap.

Como chegar em Angkor

Basicamente, é possível chegar em Siem Reap, a cidade base da zona arqueológica de Angkor, de avião ou de ônibus. A segunda opção pode ser interessante, sobretudo se você está vindo da capital e quer economizar em hospedagem em uma viagem noturna.

Mas sempre cheque o preço da passagem de avião, já que existem muitas companhias low cost no Sudeste Asiático e o aeroporto de Siem Reap é bem moderno e estruturado.

No entanto, lembre-se que, qualquer que seja a sua escolha, ao entrar no país é necessário fazer um visto on arrival, antes da imigração, que custa U$30, por pessoa – para facilitar leve jogos de fotos 3×4.

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Paisagens dentro da zona arqueológica de Angkor

Onde se hospedar em Siem Reap

Andar por Siem Reap é fácil e muitos hotéis ficam próximos a rua mais movimentada e cheia de restaurantes, a Pub Street. Se hospedar em suas redondezas facilita bastante.

Optamos por uma guesthouse simples e acolhedora recomendada pelo Lonely Planet a Visoth Boutique (quartos por cerca de U$40, com café da manhã) e fomos felizes.

Doláres

Como você deve ter percebido, todos os valores dados neste post estão em dólares americanos, pois é a moeda turística local. Pode parecer estranho, mas até os cardápios nos restaurantes são em dólar, então leve uma boa quantia de verdinhas em espécie.

Inclusive, é possível sacar nos ATMs em dólar ou em riel, mas saiba que, pelo menos a princípio você não precisa trocar riel, pois a gente quase não mexe com a moeda cambojana, a não ser quando ela vem nos trocos de pouco valor.

Outros posts do Camboja, para inspirar essa viagem:

Uma viagem pelo Camboja

Bom giro! 🙂

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