Home Giro no Rio Paquetá: nossas dicas da ilha mais charmosa do Rio de Janeiro

Paquetá: nossas dicas da ilha mais charmosa do Rio de Janeiro

por Ursulla Lodi
Mirante do Parque Tamoio

Se eu falar que eu tenho uma queda por Paquetá é pouco.

Eu tenho um leve desmaio cada vez que vou pra lá passar uma tarde gostosa, uma festa junina, um carnaval, ou uma mera pedalada despretenciosa me perdendo em suas ruas bucólicas.

Volto já dando uma pesquisada nos preços dos aluguéis, imaginando como seria morar numa casinha florida de muro baixo, num ritmo mais tranquilo e saudável de local pequeno, mas ainda próximo do centro urbano. Não me espantaria se um dia acabasse ficando ilhada por lá, entre uma barca e outra…

A ilha, que fica no meio da Baía de Guanabara – que na verdade é um bairro do Rio, onde moram mais de 5 mil pessoas – é puro charme e pacatez, com ruas de terra em que apenas transitam bicicletas. Crianças brincam e vizinhos se cumprimentam, olha só, ainda existe isso…! Até parece que voltamos num passado com gostinho de nostalgia e carinho carioca.

Conhecer Paquetá, ou, no caso dos cariocas, revisitar a ilha na idade adulta, é um passeio imperdível para quem quer ver um Rio mais autêntico, ou apenas fugir do estresse da cidade grande. 

Nesse post dou algumas dicas para passar um dia – ou mais – nesse cantinho delícia de Rio de Janeiro. <3

Baía de Guanabara vista de Paquetá

Para chegar

A única maneira de chegar até a ilha é pegando a barca que sai da estação da Praça XV, no centro do Rio de Janeiro. A amada barca, é  a conexão de Paquetá com o resto do mundo, a não ser que você tenha seu próprio barco.

Para tanto, confira os horários aqui e atente que existem tabelas diferentes para os dias de semana e fins de semana. Além disso, já que muita gente mora por lá e trabalha no Rio, durante a semana funcionam as barcas rápidas,  tipo catamarã, cuja viagem leva 50 minutos, enquanto fim de semana, as viagens são feitas pelas antigas, como a Itapuca e a Ipanema, levando 1:20 hora.

Excetuando o horário de rush, a viagem é tranquila e tem como ápice a passagem por debaixo da Ponte Rio-Niterói, contemplando a grandeza da obra. Se o mar estiver revolto, a barca dá aquela balançada perfeita para uma soneca não-programada.

O preço da viagem atualmente é R$6,10 ou R$5,15, com bilhete único.

Bicicletas na barca para Paquetá

Nossas fiéis escudeiras indo passear em Paquetá

O que fazer em Paquetá

Andar de bicicleta pela ilha

Pedalar sem rumo pela ilha, com pausadas estratégicas para piqueniques e longas conversas é a melhor maneira de curtir a ilha. Aproveite para levar sua própria magrela na barca e estender o passeio. Mas se você não tem bike rola de alugar com preço camarada por lá. Logo na rua principal, na saída da barca, seguindo pela Praça Pedro Bruno, já vemos várias lojinhas. A diária saí por menos de R$20.

O que fazer Paquetá

💡Nada de charretes: a boa notícia é que não tem mais charretes por aqui, já que foram proibidas! Mas não se preocupe que idosos e pessoas com dificuldade de locomoção podem contar com os carrinhos de golfe ou com as bike-tuks. 🙂

💡 Se você está com crianças existe também a opção de aluguel de triciclo e de pedalinho colorido.

Crianças, aluguel de bicicletas, Paquetá

O melhor programa de Paquetá é pedalar!

Conhecer a Casa de Artes, onde fica a Torre de Gaudi

Acreditando ser Paquetá a ilha das artes carioca, Ormy Toledo adquiriu a propriedade da chácara, em meados do século XX, e instalou a Casa de Artes, sendo a responsável por preciosidades arquitetônicas ali construídas como a Torre de Gaudi e o Pagode Chinês. O projeto de empreendedorismo cultural era tornar o espaço num local turístico, voltando para eventos artísticos e musicais, com saraus, onde participavam Pixinguinha, Lamartine Babo, entre outros eruditos que ali faziam encontros regulares.

Até cenário da novela global A Moreninha a casa já foi. Não é pra menos, o espaço, que foi vendido para os atuais proprietários na década de 90, é até hoje admirável pela beleza e atenção aos detalhes, seguindo o projeto cultural de valorização da comunidade.

Atualmente funciona também um restaurante bem gostosinho com opções de pratos do dia que saem de R$30-40 por pessoa. Deixo o lembrete para visitar os banheiros do casarão, aberto ao público diariamente das 10 às 17 horas.

Fazer um Piquenique e explorar o Parque dos Tamoios

“Minha mulher encasquetou de fazer um piquenique em Paquetá
Carrego isopor, pego bronzeador
Preparei o sanduíche, partiu demorô!”
Paquetá – Biltre

O túnel do Parque Tamoios, Paquetá

Não deixe de explorar todos os cantinhos do Parque Tamoios

Com gramados e paisagismo caprichado, o Parque dos Tamoios é uma das melhores pedidas de Paquetá e um ótimo ponto para piqueniques. Mas não vai pensando que a coisa é chique não, o bom é entrar no clima simples e familiar e ir logo pedindo duas bolas de sorvete por R$2. Depois de descansar nas cangas, não deixe de explorar o seu mirante, com ampla vista da ilha.

Praia em frente a Casa de Cultura de Paquetá

Diz a lenda que o pôr-do-sol mais bonito do Rio fica em Paquetá

“E desse engodo eu vi luzir
De longe o teu farol
Minha ilha perdida é aí
O meu pôr do sol.”
Paquetá – Los Hermanos

Tomar uma cerveja Paquetá ou um vinhozinho no Farol

A Cerveja Paquetá, apesar de ser produzida em Nova Friburgo, é rotulada com os emblemas da ilha: o farol, a barca e o belo pôr-do-sol. Esta pode ser encontrada em várias lojinhas e restaurantes. Levar um vinho para curtir o fim de semana também é uma boa sugestão. O farol, é o meu ponto favorito para esse pit-stop, antes da barca de volta chegar, mas o coreto também é um bom local.

Praias

Muito embora tenham muitos corajosos que não resistem nos dias quentes de verão, infelizmente, a água da Baía é, sabidamente, imprópria para banho.

Mas mesmo assim, a ilha tem várias prainhas gostosas para estender uma canga e apreciar o pôr-do-sol mais bonito do Rio ou apenas sentar e tomar uma gelada no barzinho, curtindo o visual, com vista para toda a cidade. Aproveite e faça coro nas risadas naturais propiciadas por um local livre de corre-corre. E por quê não andar em um cisne colorido?

Crianças na praia de Paquetá

As praias de Paquetá

Onde comer em Paquetá

Dias de semana as opções em Paquetá são um pouco limitadas, mas você acha com facilidade um PF salvador. O do Iate Clube e o da padaria são boas pedidas.

Fins de semana, quando a ilha ganha movimento, meu lugar favorito é a Casa da Noca, um restaurante feito no jardim de um casal muito simpático, com comida caseira gostosa e bem-servida – como o bobó de camarão e o estrogonofe, que acompanhados de uma cerveja Paquetá saem por menos de R$50 por pessoa. No interior da casa, um velho disco de música nacional nos recepciona com aconchego, convidando a entrar e apreciar as relíquias decorativas, que ornam os produtinhos à venda.

A  Casa de Cultura, também tem um menu agradável, com destaque para o vegetariano do dia e os escondidinhos, que ficam ainda mais interessantes ao som das rodas de chorinho e samba, que costumam rolar vez-em-sempre no espaço.

💡 Uma super dica é levar alguns lanchinhos para hora que bater aquela fominha. Mas tem muita larica espalhada pela ilha, como picolé, açaí, tapioca, bolo, vendidos pelos moradores.

Um dia me mudo para Paquetá

As ruas bucólicas de Paquetá

Onde pernoitar em Paquetá

Paquetá não tem tantas opções assim, se pretende dormir por lá em um feriado é bom reservar com antecedência. As nossas recomendações de hospedagem são a Pousada BruMar, a Hospedaria Santa Bárbara Hospedaria Ilha de Paquetá e a Pousada do Paulinho, com boas relações custo benefício, incluindo, normalmente, café da manhã.

Para grupos maiores, compensa dar uma olhada no AirBnB. É muito bom saber que a Torre de Gaudi também está disponível na plataforma, para uma noite romântica com vista para Baía de Guanabara. <3

Se quer mais dicas de onde se hospedar no Rio veja aqui: Onde ficar no Rio de Janeiro: dicas de bairros e hotéis.

Festividades

Carnaval: Bloco Pérola da Guanabara 

Quem poderia imaginar que as ruas bucólicas de Paquetá virariam um fervo só. Pois é, o Pérola da Guanabara é um bloco super animado e tradicional, em que crianças se misturam com adultos, competindo para ver quem tem a fantasia mais legal! E a bagunça começa bem cedo, já na primeira barca em que vai a banda. Mas, infelizmente, este cortejo de marchinhas, que costumava ser um dos mais divertidos do carnaval de rua carioca tem ficado cada vez mais cheio, perdendo um pouco do encanto original. Uma alternativa é ir curti-lo no pré-pré-carnaval, quando rola um dia não-oficial.

Para saber mais sobre os blocos de rua do Rio de Janeiro veja esse nosso post: Guia carnaval de rua 2018.

Festa Junina da Matriz

Uma festejo que ainda não perdeu o charme é a festa junina da ilha. Não faltam pessoas vestidas à caráter, brincadeiras, forró, quadrilha e muita comida boa, atividades que se concentram no coreto, em frente à Igreja da Matriz. Mas como em tudo em Paquetá, só descobrimos quando vai rolar na véspera.

Cosme e Damião na ilha

Já imaginou criança brotando de todos os lados? Pois é. Uma fofura.

Parque Tamoios, Paquetá

Paquetá vista do mirante do Parque Tamoios

Paquetá é amor. Deu pra ver que não tem como não voltar na ilha na idade adulta, né.

“Lábio de mel
Flor do luar
Você me deu o céu e o mar
Dedo de deus
Dêre mauá
Marapendi e Paquetá”
Você me deu – Gal Costa e Caetano e Zeca Veloso

Bom giro! 

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