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Cachoeiras do Quilombo Kalunga e o melhor de Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros

por Ursulla Lodi
Cachoeiras do Quilombo Kalunga e o melhor de Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros

Você pode nunca ter ido para a Chapada dos Veadeiros, mas, certamente, já viu uma foto da lindíssima Cachoeira Santa Bárbara, famosa por sua cascata azul-turquesa. Guardada no interior do território do Quilombo Kalunga, no município de Cavalcante, no Goiás, esta que é considera uma das mais belas cachoeiras do Brasil, não é sequer o principal motivo para você incluir o município na sua visita à Chapada.

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Cachoeira Santa Bárbara, no Quilombo Kalunga, em Cavalcante

Confira neste post todas as dicas para conhecer Cavalcante!

Apesar das principais cidades-base da Chapada dos Veadeiros serem, a mais estruturada e turística, Alto Paraíso de Goiás e a charmosa vila roots São Jorge, onde fica a entrada do Parque Nacional, as pessoas estão começando a descobrir  Cavalcante: um município pacato, que apesar de ser muito explorado por uma mineração agressiva, até então, ainda não era tão conhecido pelo turismo – mesmo que estejam em seus limites mais de 60% da área do Parque. Ficam em Cavalcante algumas das mais belas cachoeiras da Chapada, sem mencionar o patrimônio histórico-cultural daquele que hoje é o  maior quilombo do Brasil, o Kalunga, símbolo de resistência e da luta quilombola no país.

Um pouco mais da história de Cavalcante e do povo Kalunga

No início do século XVIII, durante a febre do ouro de Minas Gerais,  a ambição dos bandeirantes adentrou o sertão, avançando sobre o Cerrado, chegando, em 1722, às terras que chamariam-se de Minas dos Goiases, nome dado em função de um povo indígena que vivia na região. Inicia-se então o ciclo da mineração na região utilizando e torturando mão de obra negra, escravizada.

A única saída para estes era a fuga. Para evitar a recaptura, os fugitivos tinham que ir cada vez mais longe, refugiando-se no relevo acidentado da região da Chapada dos Veadeiros, onde estabeleceu-se, pois, o território Kalunga, protegido por serras e com água farta.  Esta região também servia de refúgio para diversos povos indígenas que fugiram de seus territórios com a chegada dos colonizadores, no entanto, o temor mútuo e a dificuldade de comunicação – já que os índios entendiam que os negros faziam parte do mundo dos brancos – fez com que ambas as partes se mantivessem isoladas.

Atualmente a área Kalunga, situada no nordeste do município de Cavalcante, possui mais de 230 mil hectares de cerrado protegido, sendo a maior comunidade remanescente de quilombo do Brasil, com cerca de 4.000 cidadãos que só tiveram contato com o país há menos de 30 anos, já que mantiveram-se isolados.

Kalungas de Cavalcante

Foto: Sérgio Amaral, Acervo Ministério da Cultura

Foi em 1982, quando um grupo de antropólogos chamou atenção para a construção de uma usina hidrelétrica no Rio Paranã, que iria desabrigar centenas de famílias do povo Kalunga, que estabeleceu-se o contato. Dizem os relatos que estes não tinham ciência do fim da escravidão até então, desconhecendo até mesmo o papel-moeda, já que viviam da auto-subsistência. O projeto da hidrelétrica foi cancelado e décadas depois, o território foi titulado Sítio Histórico e Patrimônio Cultura Kalunga.

Hoje os Kalunga são um povo mágico de forte sangue negro que protege a natureza que lhe rodeia e vive do ecoturismo. Conhecer este legado, ao meu ver, fora a beleza natural da própria terra, é a principal razão para conhecer Cavalcante.

As cachoeiras do Quilombo Kalunga

Talvez sejam as mais belas cachoeiras de toda a Chapada. Para visitá-las é imprescindível o guia Kalunga, todo o arranjo dos grupos é feito no Centro de Atendimento ao Turista, o CAT da comunidade, onde também pagamos as entradas das cachoeiras a serem visitadas.

Valor da guiada: R$150 por grupo, ou R$25 por pessoa, em caso de grupos maiores. 

Apesar de existirem mais de uma centena, muitas ainda inacessíveis, são três os  principais atrativos turísticos dentro do Quilombo:

Santa Bárbara

A mais famosa de todas, sobretudo, pela cor de sua água é a cachoeira Santa Bárbara. A queda, que mais parece um quadro, é linda de morrer, mas costuma ficar muito cheia, sobretudo em feriados e durante a temporada. Por este motivo e para evitar o impacto, estabeleceu-se um limite de 150 visitantes por dia, além do tempo de 1 hora por grupo.
💡Não deixe de ver também a pequena Santa Barbarazinha, em sua entrada.
💡Recomendo fortemente visitá-la assim que abrir o CAT, já que pela manhã bate mais luz em seu interior, fechado e acolhedor, tornando o azul-turquesa ainda mais intenso, ou por último, no contra-fluxo, quando você pode dar a sorte que eu dei de pegar ela vazia, só para a gente. Incrível.

Valor de acesso: R$20
Trilha: pode ser considerada moderada ou fácil, o percurso pode ter entre 1 e 6 km. Explico a diferença: dependendo das condições da estrada e da disposição do motorista, é possível chegar bem pertinho da entrada da trilha com o carro. No entanto, quando o percurso está muito ruim, sobretudo na época de chuvas que um pequeno córrego se forma cortando a estrada, normalmente o carro fica lá embaixo.

💡É bom saber que rola de pegar um transporte alternativo, já que os moradores da comunidade tem um esquema de atravessar os turistas em seus veículos, para quem não quer arriscar o carro ou caminhar tudo, cobrando R$10 por pessoa – o que pode ser muito útil, para ter mais tempo para aproveitar as cachoeiras.

As águas azuis da Santa Bárbara

As águas azuis da Santa Bárbara

Capivara

Eu tenho um carinho absurdo por esta cachoeira. Para mim é a mais bela da Chapada, parecendo que foi até desenhada por um paisagista. Na Capivara, dois rios se encontram, o Rio da Capivara e o Tiririca, formando um único poço na beira de um penhasco lindíssimo. O curioso é o diferente formato e temperatura das quedas. Não deixe de ir em hipótese alguma, até porque esta fica ao lado da Santa Bárbara.

Valor de acesso: R$10
Trilha: Para chegar é bem tranquilo, fica a 900 metros de distância da Santa Bárbara.

A cascata da Capivara

A cascata da Capivara

Candaru

Só conheci essa cachoeira na minha segunda visita ao Quilombo e ela é m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a. São 70 metros de uma imponente queda d’água que forma um delicioso poço para banho. Talvez, pela trilha ser um pouquinho maior, muita gente não a conhece. Mas a boa notícia é que dá para ir nessas três em um único dia. 🙂

Valor de acesso: R$10
Trilha:
Cerca de 3km, já que o carro tem que ficar no início do acesso para a cachoeira.

💡 Não deixe de comer no Restaurante e Camping da Dona Minalci dentro do Quilombo. Comida caseira direto da horta, com opção vegetariana, no estilo coma o quanto quiser por R$30. Delicioso!

Candaru, Quilombo Kalunga

Candaru, a maior cachoeira do Quilombo Kalunga

O Rio Prata e as magníficas quedas do Rei e da Rainha

Distante 65 km de estrada de terra de Cavalcante, já quase na fronteira com o Tocantins, O Rio Prata possui uma sequência de 7 quedas cor de esmeralda, sendo as duas últimas as famosas Rei e Rainha do Prata. As 5 primeiras quedas ficam numa distância de 2km de trilha, o que torna um passeio atrativo para famílias. Importante mencionar que o acesso é dividido, sendo uma porteira para as cinco primeiras quedas e outra para o Rei e para a Rainha, dando um total de 7km até a última queda.

O Rei é uma queda esplendorosa, com um poço bem verdinho enorme, magnífica. E a Rainha, uma cachoeira que, na verdade, o acesso é limitado, de modo que os turistas passam apenas em seu mirante. De qualquer maneira a trilha é bonita e todas as quedas, mesmo as menores, são muito gostosas.

Café da manhã em uma das quedas do Rio Prata

Café da manhã em uma das quedas do Rio Prata

💡Apesar da trilha ser tranquila, ultimamente tem sido obrigatório o guia para explorar o rio, portanto, se tiver interesse, deixe pré combinado antes de ir. Como não sabíamos disso, acabou que demos a sorte de encontrar um grupo chegando que nos juntamos. Me recomendaram também o Fabiano: (62) 9900-1074, que cobra R$150 por grupo, ou R$25 por pessoa.

💡Para chegar até lá, você precisará ao menos pernoitar em Cavalcante, destinando minimamente dois dias de viagem completos para explorar a região, sendo um no Quilombo e outro no rio, até porque é chão até lá! No nosso caso, já pernoitamos pertinho da propriedade para poder aproveitar o dia e depois seguimos voltando para o Quilombo, onde dormimos no Camping da Dona Minalci e destinamos o dia seguinte para ir na Santa Bárbara, Capivara e Candaru, voltando depois à noite para São Jorge.

Como chegar: Saindo de Cavalcante são 65 quilômetros por estrada de terra  até a entrada, à esquerda. É a mesma estrada que leva para o Quilombo Kalunga, no quilômetro 25.
Valor do acesso: R$20 e R$20, em cada porteira.
Trilha: Considerada moderada, ida e volta, dão em torno de 10km – que, no entanto, não podem ser subestimados se o sol estiver forte.

O lindíssimo Rei do Prata

O lindíssimo Rei do Prata

Bate e volta ou dormir em Cavalcante?

Nesta minha segunda vez na Chapada, tive a oportunidade de passar um tempo maior, durante a temporada do Encontro de Culturas. Foram um total de quase vinte dias acampada em São Jorge. Mas não poderia deixar de voltar em Cavalcante, deixei minha barraca trancada na vila e parti leve para um fim de semana por lá.

Na minha primeira viagem, que foi bem mais corrida, fiz apenas um bate e volta, saindo de São Jorge, para conhecer em um dia a Santa Bárbara e a Cachoeira Capivara, no Quilombo. Se você está com pouco tempo, está é uma opção super válida. Mas se está mais tranquilo, recomendo muito ficar por aqui por alguns dias para conhecer mais da região que possui várias outras cachoeiras, sua história e ter tempo de ir até o Rio da Prata.

Onde se hospedar em Cavalcante

Uma ótima dica é a Pousada Vale das Araras ($$$), cujos chalés aconchegantes ficam dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural Vale das Araras – quem se hospeda aqui pode fazer várias trilhas e até ir na cachoeira São Bartolomeu, que fica dentro da propriedade. Outra opção é a também confortável Pousada Manacá ($$$), mais central.

Mas uma dica que dou, se quiser uma experiência mais autêntica e não se importar em acampar, é dormir no Restaurante e Camping da Dona Minalci, dentro do Quilombo Kalunga, podendo conhecer com mais tranquilidade, aproveitando para já acordar por lá. O pernoite custa R$25 e o grande destaque é a proprietária, Dona Minalci, e sua deliciosa comida. Super recomendado.

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Como chegar em Cavalcante

Localizada a 322 km de Brasília, a 498 km de Goiânia e a 85 km de Alto Paraíso, a melhor maneira para se chegar a Cavalcante é de carro. O acesso a cidade é feito pela estrada GO-118. Depois que passar por Alto Paraíso, você deve seguir mais 65 km até Teresina de Goiás, de onde você pegará um trecho de 20 km até Cavalcante.

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Para quem vai de ônibus, a viação Santo Antônio opera os trajetos de Brasília, saindo da rodoviária do plano piloto, até Cavalcante (passando por Alto Paraíso). Outra opção é pegar um ônibus da viação Real Expresso para Teresina de Goiás, de onde você deverá pegar outra condução para Cavalcante.

Para mais dicas da Chapada dos Veadeiros veja também:

Chapada dos Veadeiros: tudo o que você precisa saber antes da sua viagem

Chapada dos Veadeiros: trilhas e passeios imperdíveis

Bom giro! <3

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