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Dicas para aproveitar ao máximo a Chapada dos Veadeiros

por Ursulla Lodi
Dicas para aproveitar ao máximo a Chapada dos Veadeiros

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, criado em 1961 e tombado pela UNESCO como patrimônio mundial natural da humanidade, é um dos mais belos destinos nacionais: cachoeiras, cânions, paredões, cerrado, pôr do sol colorido, araras e tucanos voando, flores endêmicas que compõe paisagens de um cenário deslumbrante.

Além disso, a região é tida como uma terra mística: cortada pelo paralelo 14, o mesmo de Machu Pichu, é considerada pelos esotéricos como o chakrá cardíaco do planeta, devido a energia da enorme placa de quartzo e cristal no subsolo cuja luminosidade pode ser vista do espaço. Muita gente foi atraída acreditando ser este um local protegido com um portal para outra dimensão na região do Jardim Maytrea. A fama pegou e virou turismo sendo comum ver discos voadores e alienígenas em restaurantes e lojinhas de souvenir.

Seja pela beleza natural ou por motivos místicos uma coisa é certa: o lugar é mágico! Então, se prepara pra andança e cachoeiras lindíssimas que lá vamos nós! :)

Onde ficar?

Os destinos mais procurados pra quem visita a Chapada dos Veadeiros são os municípios de Alto Paraíso de Goiás, a cerca de 400 km de Goiânia e 230km de Brasília, e seu distrito São Jorge, que fica a 36km de distância. Mas se você tá com tempo, vale a pena pernoitar ao menos 1 noite em Cavalcante, à 87km de Alto Paraíso, que apesar de ser uma cidade menos turística, fica próxima de algumas das mais belas cachoeiras da região, valendo ao menos fazer um bate volta, como foi o meu caso.

Alto Paraíso é uma graça e possui uma estrutura maior. Cheia de lojas naturais, pequenos restaurantes e feirinha na praça. Já São Jorge, que surgiu na década de 40 com o garimpo do cristal na região, é uma charmosa vila de ruas de terra com um clima mais roots, com vários hippies vendendo seus artesanatos. A vila que possui 400 habitantes, na alta temporada como feriados e festivais chega a receber mais de 2000 pessoas. Mas ambos os lugares são muito gostosinhos, dá até vontade de morar por lá. 🙂

É possível se hospedar em hotéis, pousadas e campings. Em Alto Paraíso fiquei na Pousada Casa Rosa pousada bacaninha, com piscina e sauna  (o que é bem legal depois de um longo dia de trilha). E em São Jorge em uma pequena pousada chamada Cristal da Terra, com um ótimo café da manhã e com coelhinhos soltos. Mas ambas as cidades possuem muitas opções legais, só fique atento, sobretudo em Alto Paraíso, se são suficientemente próximas ao centrinho, de maneira que de pra ir a pé à noite.

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Os coelhinhos da pousada Cristal da Terra <3

Quando ir?

Na região o clima é bem definido: tempo seco do cerrado de maio a setembro e chuvas começando em outubro se estendo até abril. Recomendo ir na época de chuvas, pois as chuvas não atrapalham os passeios (normalmente são pancadas no final da tarde) e com o volume d’água, as cachoeiras ficam muito mais bonitas e a vegetação verdinha, a força da natureza é de arrepiar! Mas dá pra curtir o ano todo. A época da floração é em abril e maio.

Fui em abril  e o clima estava ótimo para caminhar, as cachoeiras estavam com muita água e as trilhas todas floridas. Quanto a temperatura, tirando o verão, o ano todo à noite faz um friozinho, então leve agasalho.

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No poço da Cataratas dos Couros. Final da época das chuvas as cachoeiras ficam super cheias d’água, um verdadeiro espetáculo da natureza.

Precisa de carro?

Sim, é complicado ficar a pé e para alguns passeios como as Cataratas dos Couros e a Cachoeira de Santa Bárbara o acesso só é possível com 4×4. Para quem vem de carro ou aluga um em Brasília a estrada de acesso é a GO-118. Mas não se preocupe se você não quer alugar um carro existem empresas como a Travessia que fazem roteiros na região e fazem as melhores trilhas!

Fechamos com esta empresa, pois chegamos a conclusão que sairia mais em conta do que alugar um carro 4×4, necessário para muitas trilhas, sendo apenas 2 pessoas para dividir. O legal de ter fechado com a Travessia, é que fizemos trilhas que poucos turistas fazem por serem mais puxadas como o Sertão Zen e o Segredo que são imperdíveis! Ah, eles dão também ótimos lanchinhos de trilha e demos a sorte do pessoal que foi junto com a gente ser bem tranquilo.

Mas se fosse em uma segunda vez, já tendo uma boa noção da região e em um grupo maior, optaria em alugar um carro em Brasília ou ir de carro do Rio, fechando com a guia Patrícia, que fez alguns passeios com a gente. O contato dela tá no final do post, ela é super gente boa e faz todas as trilhas e trekkings da região.

Mas pra quem tá com a grana mais curta é possível ir de ônibus e contar com caronas, apesar de ficar mais complicado ir em vários atrativos. A Real Expresso e a Santo Antônio tem linhas saindo de Brasília para Alto Paraíso da Rodoviária Interestadual todos os dias às 10h e 21h (Real Expresso) e 11 horas (Santo Antônio). Para São Jorge e Cavalcante, a Santo Antônio tem linhas únicas saindo as 11 horas da Rodoviária do Plano Piloto e às 7:15 horas da Rodoviária Interestadual, respectivamente. Além disso a página da Conexão Chapada – BSB é uma ótima ferramenta para tentar caronas. 😉

Se preparem para andar!

É bem verdade que existem alguns passeios lights como as termas, massagem, meditação e até mesmo observação de pássaros, mas deixe estes para relaxar o corpo pós caminhada. Os passeios que valem mais a pena são as trilhas longas e de mais difícil acesso! Os atrativos vão muito além das fronteiras do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. As trilhas variam de 1km à 20km, considerando ida e volta, podendo ser feitas também em conjunto em trekkings mais longos de vários dias.

Reserve ao menos 4 dias em Alto Paraíso e 3 em São Jorge, sabendo que 1 dia será inteiro em Cavalcante. Não deixe de ir nas Almécegas, nos Saltos do Rio Doce, na Janela do Abismo, nas cataratas dos Couros, no Segredo, no Sertão Zen e na Santa Bárbara e Capivara, que na minha opinião são os passeios mais bonitos.

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Nas Almécegas II

Quer saber tudo sobre estes atrativos? Confira o post: Trilhas e passeios imperdíveis na Chapada dos Veadeiros.

Para provar

Em Alto Paraíso

Amamos o restaurante Jambalaya ($$). Fomos no buffet natural com saladas e quiches deliciosas, tudo o que precisávamos para repor as energias depois de um dia de trilha. Mas o restaurante dispõe também de cardápio à la carte servido na parte de fora, em um espaço super agradável. Levar repelente, pois pode ter mosquitos com o cair da noite. A conta dá em torno de R$50 por pessoa. Outra dica de restaurante à quilo de comida caseira com pegada natural é o Tapindaré ($), bom e barato. Para comer à noite não faltam opções gostosas! A cidade é cheia de pequenos bistrôs e cafés como o Zu’s Bistrô ($$) e o Cravo e Canela ($$), tem até hamburguer como o Quiri Quiri ($), mas estes infelizmente não tive tempo de experimentar, apesar de terem sido bem recomendados.

Em São Jorge

Não deixe de conferir o restaurante Santo Cerrado Risoteria e Café ($$$). Apesar de ser carinho, os risottos são maravilhosos e o restaurante é super romântico, com mesas no chão com almofadas, lareira, varanda e se der sorte, vista pra lua. A conta dá em torno de R$70 por pessoa, mas vale a pena! Mas se você quer um PF barato para salvar o almoço e até mesmo um contato de massagista procure no Restaurante da Nenzinha ($).

Experimente um salgadinho da região feito de gergelim chamado gergelico! Foi paixão logo no primeiro pacote. Voltamos munidos de um pequeno estoque pro Rio! Quem for pode trazer pra mim. <3

Mais dicas

O que levar

Essa é uma dica pra vida: sempre que for viajar leve uma garrafa grande ou um camelback de 2L ou mais. É essencial também levar lanches de trilha, sobretudo para as trilhas mais longas. Castanhas, barrinhas de cereal, frutas e sanduíches são uma boa pedida.

Tênis e roupas confortáveis são indispensáveis para as caminhadas puxadas. Para as trilhas mais longas como o Sertão Zen e o Segredo é bom, inclusive ir de calça tática ou legging. Se possível é interessante levar duas opções de calçado: bota de trilha e tênis normal, ou, caso não tenha bota, dois tênis, pois em muitas trilhas temos que afundar o pé na água ou na lama, e este não secará de um dia para o outro, o que pode causar bolhas e desconforto no dia seguinte.

É sempre bom levar um pequeno kit de primeiros socorros, sobretudo nas trilhas em que optar não fazer com guia.

O que não levar 

No caminho das trilhas, olhando atentamente para o chão é possível achar pequenos cristais naturais e outras pedras semi preciosas, além das plantas endêmicas da região, como a sempre-viva e o chuveirinho. Deixe-os por lá para que as próximas gerações possam igualmente apreciá-los.

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Os chuveirinhos, planta endêmica do cerrado brasileiro.

 

São Jorge tem farmácias, alguns restaurantes, bares e pequenas vendinhas. Contudo, se precisar de caixas eletrônicos, bancos, combustível e hospital será necessário ir até Alto Paraíso (36km).

Em alta temporada chegue no Parque no primeiro horário, pois existe limite de pessoas diário. Ao atingir o limite diário não é permitido o ingresso no Parque. Na trilha do Salto, por exemplo, são 250 pessoas por dia e nos cânions, 200 pessoas por dia.

Precisa de guia?

Recomendo bastante a Patrícia. Contato: (62)9655-8440.

Se você gostou desse post confere também o Trilhas e passeios imperdíveis na Chapada dos Veadeiros

Bom giro! :)

 

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1 Comentário

Trilhas e passeios imperdíveis na Chapada dos Veadeiros – Gira Mundo 27/09/2016 - 02:58

[…] Para mais dicas sobre a Chapada dos Veadeiros, confira também o post  Chapada dos Veadeiros em 7 dias (ou mais!) […]

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